Municípios desinfetam as ruas para conter o vírus

A medida não é obrigatória, mas faz parte dos planos de contingência de muitas câmaras municipais, como as de Lamego, Arruda dos Vinhos, Aveiro, Alcobaça.

Chegam num trator e trazem um pulverizador com uma solução à base de hipoclorito de sódio (a matéria principal da lixívia) dissolvido em água. Aplicam o desinfetante em passeios, paragens de autocarro, multibancos, nos corrimãos, contentores, bancos de jardim, nos serviços e estabelecimentos comerciais. Depois esfregam com panos, explica o presidente da Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos, André Rijo, uma das autarquias no país que está a proceder à desinfeção do espaço público à medida que o novo coronavírus se propaga por Portugal (já há 785 casos em território nacional). A aplicação da solução é feita por trabalhares da câmara, responsáveis pela recolha dos resíduos.

"A desinfeção partiu da nossa iniciativa, mas consultámos a autoridade de saúde, que nos deu indicações", diz André Rijo. Para já, farão uma ronda dia sim, dia não, mas, "se a coisa se complicar, ponderamos fazê-lo todos os dias", antecipa.

A desinfeção de espaços públicos não é obrigatória, mas faz parte dos planos de contingência de muitos municípios, que já estão a avançar com esta medida de prevenção. Entre eles, Alcobaça, Lamego, Sobral de Monte Agraço, Aveiro e em Lisboa e no Porto (as duas últimas cidades pelo menos no que diz respeito aos transportes públicos).

Em Lamego organizaram-se duas equipas de desinfeção, cada uma com cinco elementos, "no sentido de melhorarmos o desempenho da via pública no que diz respeito ao contacto com eventuais agentes infecciosos. Nós sabemos muito pouco, mas, ao que tudo indica, o vírus será eliminado por este agente de desinfeção, uma solução aquosa de sais ambientais quaternários", indica, ao DN, António Alves da Silva, vice-presidente da Câmara Municipal de Lamego.

"Felizmente, em Lamego ainda não temos casos confirmados, mas estamos a prevenir o contágio. Tomámos esta iniciativa, através da nossa proteção civil para fazer este tipo de desinfetação, que também tem a função de dar confiança às pessoas. Mostrar que estamos a fazer tudo o que podemos", continua António Alves da Silva.

Já em Aveiro, o município junta à desinfeção um pedido a todos os residentes no concelho - "cuidados reforçados no acondicionamento dos seus resíduos urbanos" - para que evitem deixar equipamentos elétricos e eletrónicos fora de casa. Em vez disso, pedem que os aveirenses telefonem para a câmara.

O DN contactou a Câmara Municipal de Lisboa - a maior do país - para saber se a autarquia estava a considerar a desinfeção nas ruas e o Ministério do Ambiente no sentido de perceber se estas medidas são aconselhadas pela tutela, mas até ao momento não obteve resposta.

Transportes públicos desinfetados

A desinfeção em espaços públicos começou nos transportes, que reforçarão mensalmente estas medidas de higiene. CP (Comboios de Portugal), Fertagus, Metropolitano de Lisboa e do Porto e os barcos da Soflusa. Estas operações abrangem todos os espaços partilhados pelos passageiros, como bancos, varões, vidros, mesas, casas de banho, salas de condução dos maquinistas.

"Este, de facto, é um produto muito eficaz, que mata todos os micro-organismos e, portanto, bactérias e vírus, e que consegue durante um mês essa mesma segurança. Há uma película que é formada em torno das superfícies onde ele for aplicado", explicou o ministro do Ambiente, Matos Fernandes, enquanto acompanhava os trabalho de desinfeção do metro de Lisboa.

Apesar disto, o governante salientou que esta ação de desinfeção não visa "convidar ninguém a andar nos transportes públicos". "Nós sabemos é que os transportes públicos são fundamentais para que o país continue a funcionar", acrescentou.

Recomendações da DGS

Para evitar que a epidemia se espalhe, a DGS reforça os conselhos relativos à prevenção: evitar contacto próximo com pessoas que demonstrem sinais de infeção respiratória aguda, lavar frequentemente as mãos, evitar contacto com animais, tapar o nariz e a boca quando espirra ou tosse e lavar as mãos de seguida pelo menos durante 20 segundos.

Em caso de apresentar sintomas coincidentes com os do vírus (febre, tosse, dificuldade respiratória), a autoridade de saúde pede que não se desloque às urgências, mas que ligue para a linha SNS 24 (808 24 24 24).

A tosse é o sintoma mais frequente (65%) entre os casos confirmados, seguida de febre (46%), dores musculares (40%), cefaleia (37%), fraqueza generalizada (24%) e, por último, dificuldades respiratórias (10%).

Mais Notícias