Refugiados

Em todo o mundo, são 79,5 milhões de pessoas deslocadas em resultado da guerra, de perseguição ou da violação de direitos humanos. O número nunca foi tão elevado. São mais nove milhões de pessoas do que em 2018 e quase o dobro em relação a 2010. Estes dados assustadores são a realidade que vivemos e foram publicados nesta semana pelas Nações Unidas. Estes números cruéis nem sequer dão conta dos milhares de pessoas que morreram no caminho. Estes números não nos dizem em que condições vivem estes refugiados. O que estes números nos dizem é que uma em cada 97 pessoas no mundo é hoje um refugiado. Famílias inteiras, bairros inteiros, aldeias inteiras...

Apesar dos instrumentos legais, de convenções e de declarações aprovados, o mundo não se tornou um lugar melhor para estas pessoas. Os poderes vigentes continuam a ignorar o estatuto de dignidade que cada pessoa merece e, em muitos locais, continua a vender-se uma imagem de "perigo" associada a quem tudo perdeu. Mesmo aqui, na União Europeia, gastam-se mais meios a desenvolver a teoria da "ameaça" do que a procurar responder aos problemas reais. Parece impossível, mas ainda hoje não há uma estratégia comum de asilo e os mecanismos que tinham sido criados para garantir alguma dignidade a quem foge da morte foram sendo gradualmente desmantelados.

Falamos de pessoas que fugiram de conflitos ou de situações dramáticas bem identificadas. São mais de seis milhões e meio de refugiados sírios, são mais de três milhões e meio de refugiados venezuelanos, são mais de dois milhões e meio do Afeganistão, são mais de dois milhões do Sudão Sul, são mais de um milhão do Myanmar. Sabemos bem identificar estes conflitos, as partes responsáveis e quem alimenta estas guerras. Sabemos mal praticar a humanidade para responder às necessidades de quem precisa de nós.

A situação de muitos refugiados é cada vez menos temporária. Em 1948, 720 mil palestinianos foram expulsos das suas casas, hoje são mais de cinco milhões de descendentes que continuam refugiados, muitos deles nunca tendo conhecido o país de origem. Estas pessoas como nós não são vistas como nós, mas deviam ser. São vidas inteiras que se interrompem e, a juntar a um passado normalmente trágico, um futuro sempre difícil, sempre incerto. São crianças que ficam em suspenso sem cuidados, saúde ou educação. Dos 79,5 milhões de pessoas refugiadas no mundo, quase metade são crianças. Dessas, cerca de 153 300 estão desacompanhadas.

Hoje é o Dia Mundial do Refugiado. Deixo aqui estes números com a esperança de que comecemos a ver as vidas que estão por detrás de cada um deles.

Eurodeputada do BE

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