Premium Recuperar pela solidariedade

Não é absurdo afirmar que há muito que não nos sentíamos tão desafiados como nos últimos tempos. Eu, pelo menos, tenho essa sensação. Acredito que a aprovação do Orçamento Suplementar e a elaboração do Plano de Estabilização Económica e Social marcam o começo da recuperação efetiva deste enorme desafio. A pandemia trouxe uma avalanche a que tivemos de reagir de forma preparada e imediata e em modo urgente. Esse processo (ainda em curso) trouxe um stress inevitável às instituições, ao sistema e sobretudo às organizações da primeira linha de resposta à covid-19.

Este stress não teve uma expressão meramente institucional. A urgência associada à pandemia predispôs-nos, por necessidade, a desvalorizar questões do foro afetivo, anímico e até psíquico. Estas questões adensaram-se agora quer a nível individual, quer a nível familiar, quer a nível social. Nota-se até naquilo a que nos habituámos a chamar "pequenas coisas". Desde logo a obrigatoriedade de redefinir a nossa conceção de afeto e de proximidade. A recomendação de não nos cumprimentarmos com o célebre "beijinho" português, o passou-bem e o abraço não trará grande trauma. Sobretudo para quem não acolha o toque como expressão de afeto ou cortesia. Mas o afastamento dos familiares, a separação de filhos e pais e de avós e netos ou o isolamento dos idosos, pode trazê-lo. Ou até a solidão daqueles que simplesmente não têm tanta gente assim.

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