Adiar entrada no pré-escolar "é uma questão de bom senso", dizem os pais

Representantes dos pais consideram que serão poucas as famílias com possibilidade de atrasar a entrada dos filhos no pré-escolar com condições para os deixar em casa. Mas dizem que pode ser uma boa opção para quem reúne estas condições.

Ainda é cedo para um balanço sobre o número de alunos matriculados no pré-escolar para o próximo ano letivo. Para já, o dirigente da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação diz apenas que atrasar a entrada de uma criança na escola pode ser uma boa opção neste ano que se inicia em plena pandemia de covid-19. "Se as famílias ponderam retardar a entrada no pré-escolar, por segurança, acho que é uma questão de bom senso", diz Rui Martins.

No entanto, avisa que "cada vez são menos as famílias que têm essa possibilidade". "Estão muito ocupadas, por isso, terão de se desenrascar. Não têm outro recurso senão colocar as crianças no pré-escolar." Uma ideia reiterada pelo dirigente da Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap), Jorge Ascenção: se existir pais a decidir tardar a entrada dos filhos na escolaridade obrigatória, "deverá ser em número muito reduzido". Rui Martins frisa, por outro lado, a confiança "nas escolas e nas medidas de segurança que aplicam".

Após meses encerradas, as escolas abriram no dia 1 de junho para receber as crianças do pré-escolar, na terceira fase do plano de desconfinamento do Governo seguinte ao estado de emergência. Mas a afluência ficou aquém do esperado por pais e professores, que desejavam ver um efeito positivo da segurança sentida com a reabertura das creches e das escolas secundárias.

Numa primeira ronda, a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) concluiu que "menos de metade" das crianças entre os 3 e os 6 anos marcaram presença no dia da reabertura. Em declarações ao DN, o dirigente da ANDAEP Filinto Lima dizia que "grande parte está com menos de 20% das crianças". Segundo indiciou a Fenprof ao DN, no mesmo dia, a afluência total terá rondado os 35%. Ou seja, de um total de mais de 227 mil crianças inscritas no pré-escolar - de acordo com os mais recentes dados da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, relativos ao ano letivo 2017-2018 -, só cerca de 80 mil compareceram.

Números que, segundo o ministro da Educação podem, dever-se às "muitas famílias" que "estão na sua segunda habitação" e, por isso, "longe". Tiago Brandão Rodrigues garantia, em declarações aos jornalistas, estarem asseguradas "as medidas para mitigar o impacto, mas é preciso criar a confiança".

As escolas abriram com regras apertadas para a utilização de cada espaço. O distanciamento deveria ser mantido, mas sem abdicar do direito de brincar, segundo as orientações enviadas no final de maio pelo Ministério da Educação. As crianças deveriam também evitar levar brinquedos pessoais e os educadores privilegiar as atividades ao ar livre.

As matrículas para o pré-escolar terminaram no dia 1 de julho, depois de um alargamento do prazo devido a constrangimentos registados no Portal das Matrículas, mas ainda não é possível saber quantas crianças se matricularam neste ano. Contactado pelo DN, o Ministério da Educação diz que a rede ainda não está fechada e que as estatísticas só deverão estar disponíveis durante o decorrer do ano letivo.

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