Premium Latim, língua franca

Quem tem boca vai a Roma, dizemos ainda, quase dois mil anos após a queda do Império Romano do Ocidente. Mas muitas das palavras que essa boca pronuncia desembocam também elas no latim, o idioma que sobreviveu durante séculos ao último Imperador.

"O inglês está hoje investido no papel de língua franca que permite aos mais diversos povos comunicar entre si. Mas isto acontece há apenas algumas décadas. O latim cumpriu a mesma missão durante mais de mil anos." Quem o diz é Delfim Leão, vice-reitor da Universidade de Coimbra, doutor em Cultura Clássica que, desta forma simples mas esclarecedora, põe em perspetiva a história dos idiomas no Ocidente. A responsabilidade por tamanha e tão prolongada importância vai toda para o "pragmatismo e a capacidade de organização dos romanos", que não se limitavam à conquista militar ou ao estabelecimento de feitorias comerciais. No período áureo do Império, a eficácia administrativa com que se ligava Roma a pontos tão distantes como a Península Ibérica ou a Judeia, a Germânia ou o Norte de África, ainda nos impressiona. Para Delfim Leão, a explicação não está tanto nas armas das legiões mas "na capacidade de integração dos povos conquistados, contrastando claramente com o que aconteceu nos impérios modernos". Faziam-no naturalmente "como estratégia de afirmação, mas, ao concederem amplos direitos de cidadania aos povos conquistados, garantiram o êxito da pax romana por vários séculos."

"As palavras voam, os escritos permanecem"

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