Há vida para além da covid-19

O impacto da pandemia nas nossas vidas e na nossa economia está muito longe de estar devidamente calculado. Contudo, por vezes a realidade tem a capacidade de nos surpreender pela positiva. Apesar das duras consequências provocadas pela covid-19 nas trocas comerciais, Portugal conseguiu segurar o excedente externo que tem mantido desde 2012, em plena era de intervenção da troika. Os dados inesperados foram apurados na balança de pagamentos, divulgados ontem pelo Banco de Portugal. Em 2020, o saldo conjunto da balança corrente e de capital ficou em 256 milhões de euros, o que compara com o excedente de 2591 milhões de euros registado em 2019, diz o banco central. Não é de estranhar que o superávite conseguido - apesar de ser uma boa notícia - seja o mais baixo desde 2012, quando Portugal passou a ter um excedente na balança corrente e de capital. O atual excedente não é devido nem ao crescimento das exportações, no geral, nem ao desenvolvimento do turismo, em particular. A explicar este indicador estão os fundos europeus e a participação de Portugal no orçamento comunitário. Para perceber este novo "milagre" português vale a pena ler este artigo.

Nem tudo são más notícias e há vida para além da covid-19. O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) já tem as traves-mestras definidas. Dá corpo à chamada "bazuca europeia" e prevê reformas e investimentos que vão ajudar a economia a reanimar. A expectativa dos empresários é grande. Contudo, é preciso ter os pés bem assentes na terra: não só o pacote financeiro se destina a muitas outras áreas que não só a do setor privado, como a primeira tranche - que o governo estima que comece a chegar no verão - não alcançará sequer metade do total previsto. Na etapa inicial, o país contará com subvenções de 13,9 mil milhões de euros e empréstimos de 2,7 mil milhões de euros. O PRR fica em consulta pública até dia 1 de março e o líder do executivo pede "um amplo consenso nacional" em redor do mesmo. Hoje, em exclusivo para o Diário de Notícias e para ler AQUI, é sobre isso que escreve o primeiro-ministro, António Costa.

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