Servir o leitor. A missão do DN desde 1864

Nos próximos tempos cabe-me ser diretor interino do Diário de Notícias, um jornal que vai a caminho do 156.º aniversário. E refiro a antiguidade do jornal, que nasceu no lisboeta Bairro Alto durante a monarquia e noticiou já três mudanças de regime e também a Gripe Espanhola de há um século, para reafirmar um compromisso que vem desde o primeiro dia: estar ao serviço do leitor. Foi isso que fizemos sob o mandato de Ferreira Fernandes e de Catarina Carvalho (que continuam a fazer parte da nossa redação) nestes dois últimos anos e será a regra que continuaremos a respeitar agora e quando a futura direção assumir funções.

Estes 155 anos, a contar a partir desse longínquo 29 de dezembro de 1864 (daí o título do nosso suplemento), servem também para relembrar que as pessoas são efémeras (até figuras como Eça de Queiroz, António Ferro ou José Saramago), mas a instituição permanece. E sou testemunha disso, pois desde o dia 27 de julho de 1992, em que graças a Luís Delgado me sentei na redação na Avenida da Liberdade para estagiar na secção internacional, conheci dezenas e dezenas de jornalistas brilhantes (alguns deles escrevem este sábado) e uma série de diretores que souberam sempre acrescentar algo ao jornal, a começar por Mário Bettencourt Resendes (o meu primeiro diretor e quem primeiro acreditou em mim para lugares de chefia) e continuando com Fernando Lima, Miguel Coutinho, António José Teixeira, João Marcelino e André Macedo, Paulo Baldaia e Ferreira Fernandes. Já agora, relembrar também aqueles que foram, como eu serei nestas semanas, diretores interinos: José Manuel Barroso, João Morgado Fernandes, Miguel Gaspar, Nuno Saraiva e Paulo Tavares. Valentes.

"Acessível a todas as bolsas e compreensível por todas as inteligências", prometia o primeiro editorial do DN, quase de certeza escrito por Eduardo Coelho, o nosso fundador, e cujo título era "Ao público", como quem quer dizer "ao serviço do leitor". Era um conceito revolucionário para a época, pleno reinado de D. Luís, e continua atual.

"Acessível a todas as bolsas e compreensível por todas as inteligências", prometia o primeiro editorial do DN, quase de certeza escrito por Eduardo Coelho, o nosso fundador, e cujo título era "Ao público", como quem quer dizer "ao serviço do leitor". Era um conceito revolucionário para a época, pleno reinado de D. Luís, e continua atual, creio, mesmo que a edição em papel que sai aos sábados seja só um dos rostos do jornal, já que cada vez mais existem leitores que privilegiam o online, e foram 3,2 milhões no mês de março, um recorde causado pela procura de informação de qualidade sobre a pandemia. E se do preço cabe à administração tratar, já sobre essa qualidade editorial temos nós jornalistas tudo a dizer. E é com uma redação trabalhadora, experiente e preparada, e que sabe procurar motivação nestes tempos difíceis no tal serviço ao leitor, ao público, que continuaremos a fazer o DN. Contamos pois consigo, como contamos como os nossos anunciantes, com os nossos parceiros institucionais, com o Estado também, que anunciou medidas de apoio ao jornalismo que têm de ser aplaudidas, mesmo que se pense que deve e pode ser feito mais ainda por um setor que é essencial numa sociedade democrática como é a portuguesa que nas últimas semanas tanta maturidade tem demonstrado frente à pandemia.

Este sábado a primeira página desta edição feita em teletrabalho (havemos de voltar às Torres de Lisboa) afirma que o país está a vencer o vírus. É uma notícia positiva, mas não é um grito de vitória, é um grito de resistência. Não desarmar, como não desarmaram aqueles cujas histórias nesta edição são contadas pelos nossos repórteres, de texto e de fotografia. Que saíram de casa, protegidos claro, para fazerem aquilo que é a missão dos nossos jornalistas desde que Eduardo Coelho fundou o Diário de Notícias: servir o leitor.

Este editorial é uma versão atualizada de um outro publicado por Leonídio Paulo Ferreira a 1 de agosto de 2016, na anterior ocasião em que foi diretor interino.

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