Premium Ivo Canelas continua a fazer a sua lista de coisas maravilhosas

Agora de máscara e com algum distanciamento, o ator regressa ao monólogo Todas as Coisas Maravilhosas, de Duncan MacMillan. Um espetáculo sobre a depressão e o suicídio que ganha novas leituras depois do confinamento.

Gelado. Guerras de água. Rir com tanta força que se espirra pelo nariz. Bolachinhas no leite. Encontrar um cabeleireiro que ouve mesmo aquilo que queremos. A sensação de calma que se segue à constatação de se estar metido em sarilhos mas que já não há nada a fazer em relação a isso. Quantas coisas maravilhosas temos na nossa vida, se nos dermos ao trabalho de pararmos e desfrutarmos? E não serão essas pequenas coisas que dão sentido a isto tudo?, pergunta, entre risos e lágrimas, o protagonista do espetáculo Todas as Coisas Maravilhosas.

A poucos dias da estreia, em janeiro do ano passado, havia apenas três bilhetes vendidos. Ivo Canelas sentiu alguma ansiedade. Era a primeira vez que o ator fazia um monólogo. Além disso, fazia-o por sua conta: foi ele que adaptou o texto do britânico Duncan MacMillan, em parceria com a poetisa e tradutora Margarida Vale de Gato; foi ele que criou todo o espetáculo, apenas com assistência na encenação de Dora Bernardo; foi ele que escolheu a música de Elis Regina e as outras músicas que são essenciais para contar aquela história. E apresentava-o no Estúdio Time Out, no Mercado da Ribeira, longe das salas de teatro convencionais e dos habituais circuitos de público. Sim, a ansiedade era muita. "Então, decidimos oferecer tudo, convites para todos no primeiro dia e vamos ver o que é que acontece. E foi incrível. A partir desse dia esgotámos em non stop. O boca-a-boca foi muito forte", recorda.

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