Cruz Vermelha quer vender hospital, Santa Casa está interessada. Negócio pode ser em breve

O Hospital da Cruz Vermelha poderá ser vendido em breve à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Neste momento, estão a ser feitos os estudos e as auditorias necessários para o negócio. A Santa Casa diz que antes do final do ano não deve haver uma decisão. O objetivo do negócio é aumentar a resposta do setor social nos cuidados hospitalares.

A Cruz Vermelha Portuguesa e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa poderão chegar a acordo quanto à venda na totalidade do Hospital da Cruz Vermelha (HCV) em Lisboa. Segundo apurou o DN, há um acordo de intenção entre as duas partes e, neste momento, já foi adjudicado contrato a uma consultora para que sejam realizadas as auditorias necessárias às contas e feitos os estudos de impacto económico.

Do lado da Cruz Vermelha acredita-se que o negócio poderá estar concluído até ao final do ano, mas fonte da Santa Casa assegura que provavelmente não haverá uma decisão até essa altura, já que se está na fase de estudos e de avaliação da situação do hospital.

Em cima da mesa está a aquisição desta unidade de saúde na totalidade, já que a Santa Casa, segundo explicaram ao DN, não se mostrou interessada em adquirir só os 55% que pertencem à Cruz Vermelha através da CVP - Sociedade de Gestão Hospitalar. Neste sentido, está a ser feita a avaliação da aquisição total do HCV, dos 55% da Cruz Vermelha e dos 45% do Estado, geridos pela Parpública.

O DN sabe que a perspetiva de negócio com a Santa Casa tem sido falada com o Ministério da Defesa, que tutela a Cruz Vermelha, e este terá sido bem aceite.

Em junho, e como avançou em primeiro mão o Jornal Económico, a Cruz Vermelha não confirmava a intenção de venda nem o interesse da Santa Casa. Esta, por sua vez, não fazia comentários. Um mês depois, o negócio volta a ser noticia e, desta vez, com a Santa Casa a assumir o interesse. Neste momento, há um acordo de intenção entre as duas partes e já foi adjudicado o contrato de estudos e de avaliação do negócio a uma consultora.

Desde 1998 que o Hospital da Cruz Vermelha tem um acordo de gestão com o Estado por 25 anos, que termina em 2023. E este negócio seria também uma forma de enfrentar a situação financeira do hospital, que em 2018 teve prejuízos da ordem dos 203 mil euros, face a lucros da ordem dos 800 mil euros em 2017

Por agora, ninguém fala em montantes do total do negócio, "é exatamente isso que está a ser estudado e avaliado", afirmaram-nos.

Mas fonte do hospital garantiu ao DN que um dos objetivos principais do negócio com a Santa Casa de Lisboa é reforçar a resposta do setor social nos cuidados hospitalares. Para tal, explicaram ao DN, está a ser pensado um programa de cooperação com o Serviço Nacional de Saúde, tal como este tem com o setor privado, para que os utentes do setor público também possam fazer no Hospital da Cruz Vermelha exames de diagnóstico e intervenções.

Depois de em 2015 ter formalizado a compra da Casa de Saúde Familiar, do Hospital Militar da Estrela, a Santa Casa poderá agora adquirir mais uma grande unidade para prestação de cuidados hospitalares.

Neste momento, a Santa Casa de Lisboa dispõe de sete unidades de saúde e três extensões dispersas pela capital para prestar cuidados à população mais carenciada, quer na vertente na preventiva quer na vertente curativa e de reabilitação. Tem já dois hospitais - o Hospital de Sant'Ana e o Centro de Medicina de Reabilitação do Alcoitão, Unidade de Cuidados Continuados Maria José Nogueira Pinto - e a Escola Superior de Saúde.

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