Premium O preguiçoso que se fez velocista com ajuda de Linford Christie e que agora luta contra o racismo

Recordista nacional dos 400 metros vive em Inglaterra desde os 3 anos de idade. Começou no futebol, mas acabou seduzido pelas pistas de atletismo. Casado com Bianca Williams, foi notícia em todo o mundo por acusar a polícia de Londres de racismo e promete levar o caso a tribunal.

Ricardo dos Santos está habituado a correr, mas desta vez o lema "é agir e não fugir". O velocista português acusou a polícia de Londres de racismo e vai avançar com um processo em tribunal. Farto de ser mandado parar "simplesmente" por conduzir um Mercedes topo de gama, o atleta do Benfica entregou o assunto aos advogados: "Queremos mudar a forma de agir da polícia para que outros não sofram o que nós sofremos. Basta das pessoas fugirem do problema, é preciso mudar. O normal não pode ser eu sair de casa com a carteira, o telemóvel, as chaves do carro, e o medo de voltar a ser parado pelo polícia. E se hoje não acontecer, acontece amanhã... ""

De um dia para o outro o Mundo deu-lhe atenção e Ricardo já se questionou várias vezes porque só "agora" as pessoas querem saber dele e da sua cor de pele. "Não deixa de ser algo ingrato, ser conhecido como vítima de racismo e não como atleta profissional. O grande problema disto é que acontece todos os dias e a gente comum, gente sem voz ou meios para lutar e ir para tribunal que permanece calada porque não há nada que possa fazer. E isso é muito mau. Eu não quero que o meu filho cresça com esse estigma. O que eu posso fazer como pai é ajudar a traçar um caminho onde ele não sinta racismo como os pais dele sentiram", explicou o português ao DN.

Filho de país angolanos, Ricardo nasceu em Lisboa, mas não teve tempo para crescer em Portugal. A mãe emigrou para Londres quando ele tinha três anos e desde então vive na capital inglesa. Foi lá, ainda no colégio, que o atletismo entrou na sua vida, depois de uma tentativa no futebol. Era guarda-redes, mas sentia-se "seduzido" pela pista que circundava o estádio. "Nessa altura nem sabia o que eram sapatos de picos, para mim só havia as chuteiras, mas um dia um professor veio ter comigo e disse que eu podia ser mais ou menos bom no atletismo. Depois soube que ele era o diretor de atletismo. Mas a minha primeira reação foi "está maluco"", contou ao DN.

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