"Quando tudo parece perdido, Coimbra resiste e inspira"

O mágico Luís de Matos sublinha que na cidade do Mondego a programação cultural "acontece online mas não para", e "a que para é reagendada".

Na minha cidade vazia, tinha amigos que quando eu puder sair de casa já não poderão cruzar-se comigo. É impossível romantizar este período negro da nossa existência seja qual for o enquadramento escolhido. Contudo, os que continuamos a ter o privilégio de ver nascer o sol todos os dias temos com ele a obrigação de continuar o nosso caminho. Mais do que ter esperança, que objetivamente nada contribui para a mudança da situação, temos de procurar alinhar prioridades e investir no dia de amanhã como se estivéssemos certos de que cá estaremos para o viver.

Na minha cidade vazia, mesmo no pico da pandemia, onde o contágio ameaça a nossa existência, celebra-se a cultura europeia durante os seis meses da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia. Entre janeiro e julho, Coimbra convida a conhecer a cultura de cada um dos Estados membros. Um projeto que foi sonhado em 2019, que a pandemia feriu mas não fez desaparecer. Um projeto que se adaptou, transformou, reinventou e resiste. Porque Coimbra sempre resiste e inspira!

A pandemia afetou e fez cancelar programas das Capitais Europeias da Culturas em curso por toda a Europa em 2020, 2021 e o que ainda está para vir. Apesar disso, pode acompanhar-se em Coimbra o "Semestre Europeu, A Europa em Coimbra" com uma programação plena de empenho, visão e ambição, só possível pela força de Coimbra e de todas as embaixadas que neste projeto colaboraram.

Coimbra preparou-se e adiantou-se ao próprio governo na celebração da cultura europeia durante a presidência portuguesa. Como recentemente escrevia a Prof. Cristina Robalo Cordeiro, minha colega do grupo de trabalho que prepara a candidatura de Coimbra a Capital Europeia da Cultura em 2027: "A Europa e a Cultura sustentam a nossa existência como o ar que respiramos. E é em momentos trágicos em que o oxigénio nos falta que damos o devido valor a esse elemento invisível em que vivemos e nos movemos."

Na minha cidade vazia, não nos conformamos com facilidade. Num problema vemos oportunidade, numa tragédia revemos a trajetória, perante a ameaça de afundar escolhemos nadar até ao limite das nossas forças.

Na minha cidade vazia, a programação acontece online mas não para. A que para é reagendada. É por isso que na minha cidade vazia a programação do Semestre Europeu será mais extensa do que a própria presidência e continuará por julho e agosto. Coimbra é Europa e o espírito europeu é o espírito de Coimbra, ontem, hoje e amanhã. As "correntes de mudança" que se inscrevem no seu ADN respondem à pandemia com inteligência e sentido de missão, pensando num futuro que será, por definição e inevitabilidade, tão diferente e desafiante. Quando tudo parece perdido, a minha cidade vazia resiste e inspira!

Mágico e coordenador da candidatura de Coimbra a Capital Europeia da Cultura

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