Premium "Ter o ecrã pelo meio talvez tenha ajudado a dar-me coragem para falar mais cedo de algumas coisas"

A pandemia, o confinamento e até o desconfinamento tiveram e estão a ter consequências na saúde mental dos portugueses. Trabalho não faltou nem falta aos psicoterapeutas, mas as novas circunstâncias obrigaram-nos a adaptar a resposta e passar para consultas à distância. Que impacto isso teve e que diferenças existem entre estar frente a frente num consultório ou mediado por um ecrã de computador ou smartphone? Foi o que perguntámos a psicólogos e pacientes.

"Eu falo muito e não tenho vergonha de nada, mas o não estar presencialmente talvez tenha contribuído para me sentir mais à vontade. Por exemplo, havia um tema que era chave na minha vida e eu queria abordar, mas ainda não me sentia muito confortável para o fazer e acho que se as consultas fossem presenciais talvez tivesse demorado um bocadinho mais a falar sobre ele. Ter o ecrã pelo meio talvez tenha ajudado a dar-me coragem para falar disso mais cedo", diz Alexandra, 32 anos, que começou a fazer psicoterapia há seis meses, com a psicóloga Ana Moniz. Ainda não se conheceram pessoalmente, embora a Alexandra pareça que se conhecem há anos.

A lidar desde sempre com problemas de ansiedade, já tinha tentado fazer psicoterapia, mas à terceira sessão desistiu porque não estava a correr bem. "Não me senti à vontade. Não tive empatia com a pessoa que estava à minha frente", explica.

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