Premium Quando o homem recebeu o cacau dos deuses

No século XVII, a gulosa Europa rendeu-se ao chocolate. A bebida voluptuosa que adoçava as cortes do Velho Continente provinha de linhagem milenar. O "alimento dos deuses" que a humanidade acolheu por intermédio dos povos da Mesoamérica ocupou a investigação de Fátima Moura, autora do livro Do Cacau ao Chocolate. Uma narrativa com primórdios na Pré-História.

Muito antes de o chocolate se fazer moda e vício de gula nas cortes europeias dos séculos XVI e XVII, há que lhe encontrar a origem distante e tropical, ainda como semente de cacau. Na corrente cronológica que nos leva até ao berço do "alimento dos deuses", o Theobroma cacao, assim classificado para a botânica pelo taxinomista Lineu, há que atravessar o oceano. Um salto com a largura do Atlântico, do velho para o novo mundo, da Europa para o seio da floresta amazónica. Ali, temperatura, humidade, solo e luz solar congeminaram as condições ideais para que tenha vingado o cacaueiro. A escala de tempo desta origem supera a história. Há dez milhões de anos, o cacau "lutava por uma identidade própria, emancipando-se das outras plantas da sua família, as Malvaceae". Palavras que vertem do livro que Fátima Moura, investigadora da história da alimentação, deu aos escaparates em 2019. Do Cacau ao Chocolate, edição bilingue dos CTT, mereceu à autora uma viagem documental para nos traçar os primórdios, a disseminação e o consumo do cacau, a matéria-prima do chocolate. Alimento que é história, religião, rito, medicina, saudade, mas também puro deleite. Bem alimentar que há mais de 20 séculos inebria civilizações.

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