Metalurgia. Campeã das exportações reforça trajetória positiva em setembro

As vendas ao exterior da metalurgia e metalomecânica cresceram 2% em setembro. Este foi o terceiro melhor mês de sempre das exportações da fileira. Em sentido contrário, os setores mais ligados à moda, como têxtil, vestuário e calçado, voltaram já às quebras.

As exportações da indústria metalúrgica e metalomecânica cresceram 2% em setembro, para 1748 milhões de euros. É não só o segundo mês consecutivo em terreno positivo, depois do aumento de 4% em agosto, como setembro se revelou "o terceiro melhor mês de sempre das exportações do setor", garante o vice-presidente da associação do Metal Portugal, a AIMMAP.

Rafael Campos Pereira estima que a fileira termine 2020 com uma quebra da ordem de 10% a 12%, e que esta venha a ser recuperada no primeiro trimestre de 2021. "Embora o crescimento homólogo seja só de 2%, a questão é que setembro de 2019 tinha sido já um mês bastante bom", diz este responsável, que sublinha: "É evidente que esta performance é impulsionada pela recuperação de encomendas, o que permite que o decréscimo homólogo no acumulado do ano se tenha vindo a esbater" passando de mais de 20% em junho para os atuais 17%, correspondentes a exportações totais de 12.078 milhões de euros entre janeiro e setembro.

Rafael Campos Pereira admite que, apesar da pandemia, há empresas que irão terminar o ano com "crescimentos substanciais", o que mostra a "capacidade de adaptação" da indústria nacional. "Provavelmente é ainda prematuro ver o que está a impulsionar as vendas. Nos componentes para a indústria automóvel sabemos que há alguma recuperação de stocks, noutros segmentos é mais difícil de ver. Sabemos, sim, que isto resulta da capacidade de adaptação das nossas empresas que tanto podem fazer peças técnicas para a indústria automóvel como ferroviária, química ou até para as indústrias da moda. Conseguem ajustar-se e reagir muito bem, por isso, de uma forma geral, as coisas estão a correr bem", frisa.

E com os dados já lançados praticamente até ao final de novembro, a AIMMAP acredita que as próximas estatísticas do comércio internacional venham a mostrar-se positivas. "O que vamos sentindo no terreno é que a trajetória em outubro e novembro foi semelhante à de setembro e, portanto, as empresas continuam a recuperar, e apontamos para uma quebra de 10% a 12% no final do ano", frisa, acrescentando que "parte disso, em condições normais, será recuperado ainda no primeiro trimestre do próximo ano".

Nos setores mais ligados à moda, a performance não foi tão positiva, com o têxtil, o vestuário e o calçado a regressarem às quebras nos mercados internacionais em setembro. As exportações de calçado caíram 11,2% neste mês e acumulam, no todo do ano, uma retração de quase 17%, para 1160 milhões de euros. São menos 29 milhões de euros do que em igual período de 2019. Em agosto, a indústria exportou mais 1,9% do que no período homólogo, mas a APICCAPS, a associação do calçado, lembra que este é o mês habitual de encerramento para férias, o que neste ano não aconteceu, em muitos casos, para dar resposta a algumas encomendas, influenciando, assim, os números das exportações.

no têxtil e vestuário, a quebra em setembro foi de 7,1%. O vestuário é o mais penalizado, com uma redução homóloga de 11,9% - ao contrário dos têxteis para o lar, que até crescem (+3,7%) -, o que "já se previa", garante César Araújo, presidente da ANIVEC, a associação do vestuário. "O que sofre mais é a roupa em tecido porque sem casamentos, sem batizados e sem socialização não há compras, e a nossa indústria não arranca, pelo que é fundamental mantê-la em ponto-morto", garante. No acumulado do ano, a fileira exportou 3424 milhões de euros, o que representa uma queda de 12,7%. São menos 499 milhões de euros do que no período homólogo. Além de medidas específicas para o setor, "e que não discriminem negativamente as empresas com mais de 250 trabalhadores", César Araújo acredita que é preciso "repensar a Europa", com o desenvolvimento de um "plano Marshall" que permita aos europeus terem meios para voltar a consumir. Mas a indústria tem, também, um papel a desempenhar: "As empresas têm de se comprometer com a população, garantindo que pelo menos 30% do que comercializam será made in Europe."

Ilídia Pinto é jornalista no Dinheiro Vivo

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