Premium Evo Morales, o indígena acusado de trair a Pachamama

O homem que presidiu à Bolívia durante 13 anos instituiu uma nova Constituição que defende os povos indígenas e deu ao país um raro período de crescimento e estabilidade. Mas o apego ao poder e aos interesses económicos falaram mais alto.

Durante os últimos dez dias, a Bolívia esteve paralisada e em confrontos quase diários com as forças de segurança que chegaram ao ponto de um vazio de poder na segunda-feira.

As acusações de fraude da primeira volta das eleições presidenciais de 20 de outubro foram o detonador de três semanas de manifestações e greves que culminaram com o pedido de demissão do presidente Evo Morales. O presidente concorria a um quarto mandato e, depois de levar uma vantagem de sete pontos percentuais com 84% de votos contabilizados (45,3% para 38,2%) para Carlos Mesa, o candidato conservador, o órgão eleitoral anunciou quatro dias depois que o dirigente ganhava à primeira com 47% contra 36,5% do adversário.

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Liderança

Jill Ader: "As mulheres são mais propensas a minimizarem-se"

Jill Ader é a nova chairwoman da Egon Zehnder, a primeira mulher no cargo e a única numa grande empresa de busca de talentos e recursos. Tem, por isso, um ponto de vista extraordinário sobre o mundo - líderes, negócios, política e mulheres. Esteve em Portugal para um evento da companhia. E mostrou-o.

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Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.