Chuva e falta de escoamento deixam Lisboa debaixo de água

Foi um domingo de muita chuva, como previsto, em que a falta de escoamento nas ruas e estradas originou os maiores problemas e levou a água a entrar em casas. Lisboa e Setúbal foram os distritos mais afetados.

Já havia o alerta para um domingo de muita chuva e vento. E assim aconteceu, com dezenas de ruas a ficarem inundadas, por falta de escoamento, situação que acabou por levar a água a entrar em muitas casas e a deixar carros submersos, com a região da Grande Lisboa a ser a mais atingida. Em todos o país houve cerca de 700 ocorrências, incluindo queda de árvores ou de estruturas e deslizamentos de terras, mas, de acordo com a Autoridade Nacional de Proteção Civil, não houve feridos nem danos de maior gravidade. Houve, contudo, danos em muitas casas e garagens, além de várias vias que estiveram encerradas.

Foram perto de 400 inundações em casas e estradas só nos distritos de Lisboa (248) e Setúbal (133), os mais afetados por cheias entre as 00.00 e as 21.00, segundo dados da ANPC. Em todo o território continental, no mesmo período, foi contabilizado um total de 684 situações devido ao mau tempo. Em todo o país continental, registaram-se 55 quedas de árvores e de 20 estruturas, 35 aluimentos de terra e limpezas de estradas. A nível de prática desportiva, houve vários jogos de futebol, de norte a sul, que foram adiados devido às más condições dos recintos, por causa de terrenos alagados.

Na zona mais afetada, Lisboa, a chuva intensa na cidade causou até ao final da tarde mais de 200 inundações em casas e estradas, sobretudo nas freguesias de Benfica e da Penha de França, segundo informações da Proteção Civil da autarquia. Até às 18.00, foram registadas 287 situações, como inundações em casas, incluindo em garagens, e inundações de estradas e ruas, adiantou Carlos Castro, representante da Câmara de Lisboa para a área da Proteção Civil. Segundo Carlos Castro, a maioria das inundações verificou-se nas freguesias de Benfica e da Penha de França.

O Comando Metropolitano da PSP ​​​​​de Lisboa revelou que houve várias restrições da circulação automóvel no distrito, com o corte temporário de algumas vias, nomeadamente na capital, Sintra, Oeiras, Cascais e Vila Franca de Xira.

As inundações, avançou a PSP, foram a principal causa do corte das vias, mas registaram-se ainda situações de restrições ao trânsito relacionadas com queda de árvores e deslizamento de terras. As primeiras chamadas com pedidos de auxílio e de comunicação de ocorrências começaram a cair na polícia pouco depois das 10.00 e prolongaram-se pela tarde.

Mais de 120 ocorrências em Setúbal

No distrito de Setúbal o mau tempo provocou um total de 133 ocorrências, das quais mais de cem foram "pequenas inundações" na via pública ou em casas, revelou a Proteção Civil.

O Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Setúbal explicou que, das 122 ocorrências registadas até às 17.00, 106 tinham sido "pequenas inundações", que ocorreram "na via pública, em caves e em habitações térreas".

"Essas situações aconteceram porque as estradas ou as ruas não tinham capacidade de escoamento" e a água da chuva que caiu durante a tarde "entrou em algumas casas", disse à Lusa fonte do CDOS. O mau tempo provocou "seis quedas de árvores, um deslizamento de terras, três quedas de estruturas, como painéis, antenas ou placards" publicitários e "seis limpezas de via".

Os concelhos "mais afetados", segundo o CDOS, foram os do Seixal (34 ocorrências), Moita (18), Almada (17), Palmela (15), Setúbal (14) e Barreiro (12), tendo as outras situações sido verificadas nos restantes municípios do distrito. "Mas são todas pequenas situações. As inundações não provocaram danos consideráveis em habitações ou nas vias e as árvores que caíram também não fizeram vítimas, nem causaram danos em automóveis", frisou a fonte do CDOS.

A Proteção Civil mantém até ao meio-dia de segunda-feira o alerta de mau tempo, sobretudo devido à chuva.

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