Covid-19. Vale a pena levar a vacina para a pneumonia?

Não protege contra o novo coronavírus, mas algumas pessoas estão a levá-la, principalmente cidadãos com doença crónica, apenas para garantir a proteção já habitual.

As vacinas contra a pneumonia existentes no mercado não funcionam como prevenção para o novo coronavírus: isto é unânime entre os especialistas e já foi confirmado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, a "vacinação contra doenças respiratórias é altamente recomendada" para proteção da saúde, ainda de acordo com a OMS.

"A vacina para a pneumonia não tem ligação com o coronavírus. Este vírus é novo, não temos vacina nem tratamento. Há pessoas que estão a ser vacinadas [para a pneumonia] agora apenas para prevenir uma pneumonia normal", esclarece, ao DN, Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF). No entanto, "se uma pessoa faz uma pneumonia numa época desta, não é nada vantajoso. Aquilo que nos preocupa são os doentes crónicos e as pessoas mais idosas. Portanto, tudo o que possamos fazer para evitar uma pneumonia qualquer que seja é benéfico", acrescenta o médico de Coimbra.

No mês de janeiro de 2020 venderam-se nas farmácias portuguesas 10 396 vacinas pneumocócicas, mais 24,1% do que no ano homólogo, de acordo com dados da Associação Nacional de Farmácias enviados ao DN. E em fevereiro 7486 doses, um aumento de 31,1% em relação a 2019. As tomas nos centros de saúde não são conhecidas e nenhuma das cinco Administrações Regionais de Saúde (Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve) respondeu ao pedido do DN para disponibilizar estes números. Rui Nogueira indica que esta vacina esteve esgotada no final do ano passado, apesar da atividade gripal ter tido fraca incidência, "portanto os doentes que já deviam ter sido vacinados ainda não tinham sido".

A vacina pneumocócica conjugada está indicada para todas as idades, sendo gratuita para as crianças nascidas a partir do dia 1 de janeiro de 2015 e para os adultos com doenças crónicas considerados de alto risco, nomeadamente os portadores do vírus da imunodeficiência humana (VIH/sida) e de certas doenças pulmonares obstrutivas, além do cancro do pulmão, de acordo com o portal do Serviço Nacional de Saúde.

Até ao momento, não existe uma vacina para o novo coronavírus, que surgiu na província chinesa de Hubei no final do ano passado, e a OMS estima que esta nunca estará pronta neste ano. No entanto, os testes em humanos de uma primeira vacina experimental deverão começar já em abril, nos Estados Unidos. A antecipação fica sobretudo a dever-se a procedimentos técnicos que permitem a criação mais rápida de vacinas.

O covid-19 já infetou mais de 125 mil pessoas distribuídas por 122 países. Já recuperaram 67 mil e morreram 4600. Em Portugal, há 59 infetados.

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