Uma ação solidária

Quando se repara que para um académico, com a autoridade de Timothy Garton Ash, o facto mais desafiante para este "século sem bússola" é reconstruir a paz da relação dos EUA com a China, é "tornar as nossas sociedades históricas, livres, abertas, atrativas", e melhorar a aconselhada "abordagem estratégica" de Washington, a esperança não se restaura quando conclui que Donald Trump faz o oposto. Como Portugal, se não é como concluiu, para a história, Freddy Silva, A Primeira Nação Templária (2017), nesta data de luta contra a globalidade da agressão de covid-19, é a solidariedade global que espera dos Estados a decisão de vencer esta guerra para conseguirem, na paz dos vivos, finalmente uma ordem sem ataques entre raças, culturas, religiões, éticas, objetivos que não estão no conhecimento de quem apenas apregoa "America first", abusando do modelo do Estado espetáculo que Schwartzenberg identificou (1977).

Por isso é de considerar com atenção o facto de o jornal Mensageiro de Bragança, de 24 de junho, ter publicado uma extensa conversa com a arquiteta Ana Carmo, natural de Bragança e a trabalhar na China há dois anos, e que lhe transmitiu que os nossos hábitos, a forma como se lidou lá com o início da epidemia de covid-19 e a segunda vaga que se avizinha, sentindo que as divisões da autoridade a tranquilizam como "método preventivo de salvar vidas". Este diálogo, em português, é para um distrito em que enfrentando as dificuldades da pandemia, e também dos riscos, se multiplicam as iniciativas que valorizam os projetos de futuro e respondem às necessidades humanas, não apenas na saúde, porque os "novos casos e número de testes abrandam na região", mas também quanto aos riscos dos incentivos. E também à regra de que a oração cristã não rezou "Meu Pai", mas "Pai Nosso", isto é, de solidariedade entre todos os povos. O presidente de câmara Hernâni Dias, que enfrenta sereno e sabedor os trabalhos previstos (importante a saúde), e os desafios imprevistos; e o bispo de Bragança-Miranda D. José Cordeiro, este também celebrando com o Instituto Politécnico de Bragança, cujo presidente é o Prof. Orlando Rodrigues, três protocolos de cooperação em diversas áreas do saber, destacando-se uma campanha nacional entre a Cáritas Diocesana e a Associação de Estudantes Africanos do Instituto, para "apoiar os alunos estrangeiros que se viram em dificuldades devido à pandemia".

A iniciativa partiu dos "estudantes africanos", que representam a maioria dos cerca de três mil alunos estrangeiros num total de nove mil alunos. O bispo D. José Cordeiro declarou que "são mais de cem os pedidos a que temos conseguido responder", e é público que as associações de estudantes africanos em Portugal (de diferentes politécnicos e universidades) decidiram unir-se lançando um projeto Rede Solidária de Estudantes Africanos em Portugal, com o qual são solidários o instituto politécnico, a Cáritas Diocesana de Bragança e a ONGD - Na Rota dos Povos, como forma de ajudar os estudantes. São técnicos do instituto que vão acompanhar as obras no histórico Seminário de São José, fortalecendo a relação de proximidade entre as instituições, "para convergir para o reforço da coesão social e territorial". Este espírito deve satisfazer o atual secretário de Estado do Ensino Superior, João Sobrinho Teixeira, que foi um excelente diretor do politécnico e colaborou, nos dois anos que pareceu necessário para que o notável atual presidente da Câmara de Bragança anuncie que vão começar as obras necessárias para construir o projetado Museu da Língua. O qual só tem réplica antiga no Museu de São Paulo, que em tempos ardeu, mas está reconstruído.

O grupo de apoio da iniciativa, que incluiu neste várias entidades nacionais e transmontanas, encontra apoios e sobretudo presença dos países de língua portuguesa, que fazem parte da CPLP. Por seu lado, a diocese tem-se empenhado em edições do maior interesse, designadamente o 13.º volume da Coleção Presbyterium sobre o território de Bragança entre 1820 e 1926, da autoria do sacerdote Dr. José Amaro Pombal, in Memorias de Monsenhor José de Castro, cuja longa presença no Vaticano como assessor diplomático que deixou uma extensa obra, incluindo os profundos estudos sobre D. Frei Bartolomeu dos Mártires, que finalmente foi santificado há meses, e talvez inspire meditação para resolver a problemática católica de responder à mudança dos tempos do globalismo, cuja estrutura política de governança se tem desarticulado, e vai ser extremamente exigente, logo que seja ganha a paz contra o brutal ataque do covid-19. Um combate que, ganho, deverá abandonar as disputas étnicas, históricas, das crenças, porque se trata apenas de seres vivos, a conseguir uma nova governança em paz: que se construa a morada comum.

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