Julho só teve mais 390 desempregados oficiais, mas houve 44 mil novos inscritos no IEFP

Apesar das dezenas de milhares de novos inscritos, o stock do desemprego no continente chegou ao fim do mês praticamente inalterado.

A passagem à inatividade de milhares de desempregados inscritos no Instituto de Emprego e Formação Profissional continua a esbater as subidas no desemprego oficial. Em julho, as novas inscrições nos centros IEFP do continente voltaram a subir, em 8%, face aos números do mês anterior, com 44 207 novos desempregados, segundo os últimos indicadores publicados pelo Gabinete de Estudos e Planeamento (GEP) do Ministério do Trabalho. Ainda assim, o stock final de desemprego do mês subiu em apenas 390 indivíduos.

Os registos nos centros IEFP, entre entradas e saídas de desempregados, contavam a 31 de julho 382 019 inscritos, número pouco superior ao de final de junho. Os dados incluem apenas as inscrições em Portugal continental, com o total que inclui inscritos no desemprego nos Açores e na Madeira a ser divulgado pelo IEFP apenas mais perto do final do mês.

Os indicadores de acompanhamento que têm vindo a ser publicados pelo Ministério do Trabalho somam, desde a entrada em vigor das primeiras medidas do estado de emergência devido à pandemia, a 22 de março, e a última quarta-feira, já mais de 221 mil novos inscritos no desemprego. Já o número do desemprego total registado cresceu desde essa data em apenas pouco mais de 80 mil indivíduos, tendo tido oscilações significativas de lá para cá. O máximo de desemprego registado ocorreu a 28 de junho, com 403 175 inscritos, número que caiu em 16 714 no dia imediatamente a seguir, segundo os dados do GEP.

A inscrição nos centros de emprego pressupõe a procura ativa de emprego, que poderá ter ficado prejudicada durante o período de confinamento. As regras de inscrição fazem ainda que, uma vez uma inscrição anulada, só possa haver reinscrição 90 dias depois da decisão de anulação, mesmo que os indivíduos retirados das listas do IEFP se mantenham desempregados e disponíveis para trabalhar. Ou seja, os números deverão permanecer baixos ainda por um longo período.

O mesmo tipo de determinações tem feito que os dados de desemprego oficial publicados pelo INE não tenham traduzido até aqui aumentos significativos no desemprego. A taxa de subutilização do trabalho, que inclui os indivíduos inativos e atingia 14% no segundo trimestre, é agora vista como indicador mais fiável para aferir a realidade da perda de postos de trabalho no país.

Os dados do INE para o segundo trimestre, conhecidos no início da última semana, apontam uma subida de 88% nos inativos disponíveis para trabalhar mas que não procuram emprego, para 312,1 mil, face ao trimestre anterior. Já os inativos não disponíveis mas à procura de emprego subiram 20% para 25,4 mil. Os desempregados, pelo contrário, caíram 20%, para apenas 278,4 mil. A taxa de desemprego ficou nos 5,6%.

A classificação oficial de desemprego abrange quem, entre os 15 e os 74 anos, não tenha trabalho remunerado, ou não esteja disponível para ele, e tenha procurado ativamente trabalho nas três semanas anteriores, seja pela resposta a anúncios, realização de entrevistas ou contactos com centros e agências de emprego, empregadores e outro tipo de contactos pessoais ou com associações sindicais. Na criação do próprio emprego, contam ainda diligências como a compra de equipamento de trabalho ou pedidos de licença para criação de empresa própria.

Jornalista do Dinheiro Vivo

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