Luís Araújo quer regras claras e uma UE com uma só voz para o turismo

Recém-eleito presidente da ​​​​​​​European Travel Commission, líder do Turismo de Portugal quer coordenação nas medidas para o turismo à escala europeia.

A questão dos corredores aéreos entre países da União Europeia (UE) é um dos temas quentes do verão e Luís Araújo, recém-eleito presidente da European Travel Commission (ETC) - associação que representa 33 organizações nacionais de turismo de 31 países da Europa -, e também presidente do Turismo de Portugal, estabelece como prioridade uma UE a falar a uma só voz e com regras claras para o setor.

"O que sempre dissemos, e dizíamos enquanto entidade turística nacional, é que deveria existir uma atuação concertada entre todos os países relativamente à questão da mobilidade dentro da UE. E que devia haver regras claras relativamente às limitações que eram impostas aos diferentes países", começa por explicar ao DN/Dinheiro Vivo. "O que sempre defendemos é que tinha de haver, não só regras claras, mas também uma coordenação. O que a ETC pode fazer aqui é ter uma voz dentro da UE para que isto seja muito mais eficaz. E, como estão representados todos os membros dentro da ETC, que seja revelada a importância do turismo a nível nacional. E que esta mensagem possa passar em cada um dos Estados-membros", acrescenta.

O turismo atravessa uma das suas fases mais conturbadas, devido à pandemia de covid-19. A mobilidade entre cidadãos de forma segura tornou-se a chave para a sobrevivência do setor, e não apenas para Portugal: a UE é um bloco económico com cerca de 500 milhões de habitantes, habituados a viajar muito dentro das fronteiras europeias, apesar de o Velho Continente captar cada vez mais turistas de outras geografias.

Para se ter uma ideia, em 2019 o setor das viagens e turismo foi responsável por 22,6 milhões de empregos, ou 11,2% da força de trabalho total da UE. E gerou 1,319 mil milhões de euros para o PIB da União, ou seja, deu um contributo de 9,5% (dados da Organização Mundial do Turismo). "O que espero é conseguir trazer um bocadinho desta coordenação e desta voz mais afirmativa, dentro da União Europeia, com aquilo que são as necessidades do setor do turismo a nível nacional mas principalmente a nível europeu", disse Luís Araújo.

Nesta semana foi conhecido o Manifesto Europeu de Turismo, que reúne mais de 60 organizações públicas e privadas europeias. No documento, a que a Lusa teve acesso, é claro o apelo a que os Estados-membros "cheguem urgentemente a acordo sobre restrições harmonizadas de viagens e assegurem uma rápida implementação para ajudar o setor a sobreviver a esta crise sem precedentes".

A Comissão Europeia, na semana passada, já tinha defendido a necessidade de garantir "mais clareza e previsibilidade". "Precisamos de garantir mais clareza e previsibilidade. É por isso que propomos hoje uma abordagem comum para quaisquer medidas que restrinjam a liberdade de movimento nos nossos Estados-membros", dizia, em comunicado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Ana Laranjeiro é jornalista do Dinheiro Vivo

Mais Notícias