Nakajima, o pequeno imperador já vale 40 milhões de euros

O japonês que foi decisivo na vitória frente ao Sporting é quase todos os dias notícia no seu país. Há pouco mais de um ano em Portugal, Shoya já sabe algumas palavras de português e gosta de comer bacalhau.

Shoya Nakajima voltou a ser o nome maior no futebol do Portimonense, mercê da atuação fantástica frente ao Sporting (4-2), marcando dois golos e fazendo duas assistências. Uma noite para contar aos netos, precisamente na altura em que viajou para o seu país, para representar a seleção do Japão em dois particulares, nos próximos dias 12 com o Panamá e 16 com o Uruguai.

O pequeno imperador continua a justificar a cláusula de rescisão de 40 milhões de euros e o facto de, invariavelmente, a SAD dos algarvios receber propostas sobre uma eventual transferência. Também invariavelmente sucedem-se as negas: do Shakthar ao Estugarda e do PSG ao Galatasaray, passando pelos três grandes portugueses, não há quem não tenha feito perguntas sobre o extremo nipónico e tenha levado a mesma reposta - só sai pela cláusula de rescisão.

Nakajima chegou a Portimão no início da época passada, oriundo do FC Tóquio e na sequência das relações privilegiadas que o "estado-maior" da sociedade que gere o futebol dos alvinegros goza no Japão. Veio por empréstimo e logo, passado pouco tempo, em janeiro, o Portimonense exerceu a opção de compra total e aumentou-lhe a cláusula de rescisão. Agora, face ao assédio permanente e à constatação real de que o jogador é mesmo um fora de série, a parada subiu.

Um japonês fã de bacalhau

O japonês, 24 anos, vive com a esposa e com o seu inseparável cão em Portimão, bem perto da zona da Praia da Rocha. Nos dois últimos meses tem sido acompanhado de perto por Márcio Abematsu, o tradutor, que nasceu no Brasil e é filho de pais japoneses. "Pessoalmente, não conhecia o Nakajima, apenas sabia da sua valia como jogador. É uma pessoa muito tranquila, gosta de ficar com a família e passa muito tempo em casa, com a esposa e o cachorro. Às vezes saímos para jantar. Do que gosta? Come qualquer coisa e gosta muito da comida portuguesa, diz que tem um tempero bastante agradável. Aprecia bacalhau", conta Márcio, que está há 16 anos no futebol e que no Portimonense, curiosamente, trabalha também como roupeiro.

"É uma excelente pessoa, muito calmo no dia-a-dia. Já entende um pouco de português, mas apenas coisas simples e palavras fáceis. Nos treinos e nas palestras passo para ele o que o treinador pede. Tudo sem problemas, porque o Nakajima percebe bem a linguagem universal do futebol. É assim, aliás, que comunica com os companheiros", prossegue Márcio, que já tinha trabalhado com Rodiney Sampaio e Robson Ponte, presidente e vice da SAD dos algarvios. "Temos ainda um outro japonês, nos sub-23, que é o Kodai Nagashima, que também ajudo na tradução".

Em alta na seleção

Nakajima ficou de fora da lista que o Japão levou ao Mundial, em junho passado, mas tem cada vez mais um lugar de destaque na seleção. "É o número 10 da atual seleção e toda a imprensa japonesa está sempre a falar nele. Já sei que hoje todos os jornais referem os dois golos e as duas assistências ao Sporting, dizendo que chega à seleção num momento sublime de forma", refere Márcio. "Com os companheiros? Entende-se bem, com gestos e outras indicações do tipo. O Nakajima, repito, percebe o suficiente para corresponder ao que lhe é pedido. Caso contrário, estou cá para dar uma ajuda."

O número 10 do Portimonense chega à seleção em alta, não só pelos dois golos que marcou ao Sporting - já leva quatro nesta época -, mas pelo rendimento deste o início de época, que confirma o bom rendimento da temporada passada, em que surpreendeu toda a gente marcando dez golos em 33 jogos.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG