Máscaras e distância social. PCP volta aos comícios a alertar contra "bazuca" europeia

Militantes comunistas juntaram-se no alto do Parque Eduardo VII. Jerónimo de Sousa diz que o programa do Governo para fazer face à crise é limitado e insuficiente e avisa para os perigos da "bazuca" europeia.

O PCP voltou este domingo aos comícios, com uma iniciativa no Alto do Parque Eduardo VII, em Lisboa, sob o lema "nem um direito menos" - um princípio que Jerónimo de Sousa reclamou para os trabalhadores, mas também para a atividade política do partido.

Com a audiência posicionada num anfiteatro em relva, com metros de fitas a marcar os lugares, organizado por setores, de A a F, o local do comício foi-se enchendo a partir das 16.00 horas. Como conta a agência Lusa, um "grupo de camaradas" com folhas na mão estavam no recinto para "ajudar a enquadrar" os "camaradas e amigos" e "encontrar os locais de cada um", separado por metro e meio ou outras vezes menos. E, para o final, era pedido aos participantes que ficassem nos seus lugares e esperassem as indicações para "uma saída de forma organizada, para manter o distanciamento que se exige"."Que seja um exemplo, capacidade, determinação, organização, confiança e força do PCP e dos seus amigos para por o país a avançar", ia repetindo o animador.

No discurso aos militantes comunistas, todos com uma bandeira do PCP ou de Portugal, Jerónimo de Sousa defendeu "um sério combate ao vírus que corrói a cidadania", pelo "exercício de todas as liberdades, incluindo a liberdade e o direito de manifestação como um ato normal, o direito à greve, ao exercício da atividade sindical nas empresas, ao protesto". Lembrando que o PCP discordou da declaração do estado de emergência no país, Jerónimo sublinhou que "a liberdade, tal como os direitos, defendem-se exercendo-se, não podem ficar confinados na armadilha de uma aparente, e inexistente, segurança", saudando os trabalhadores da cultura, dos transportes, os enfermeiros, os precários da RTP, os trabalhadores da Administração Local.

Sobre o Programa de Estabilização Económica e Social (PEES) apresentado pelo Governo, o líder do PCP diz não "não ter ilusões" quanto ao documento, "insuficiente" para contar os perigos que se apresentam à economia portuguesa, nomeadamente "o risco de falências" ou a redução significativa do poder de compra das populações".

Para Jerónimo de Sousa, a limitação deste programa fica provada na ""propalada ideia" de que a solução para os problemas nacionais "está aí à mão de semear". "Anunciam-se aos sete ventos, na Europa e aqui também, um fundo que se apregoa como uma bazuca de 750 milhões de euros para apoiar a recuperação. O fogo-de-artifício é imenso, como convém, para ofuscar a verdadeira natureza do que está em marcha, preparado e cozinhado pelo eixo franco-alemão", sublinhou Jerónimo de Sousa.

"Repetem que a maior parte é dado como subvenções ao Estado, mas omitem que o que estão a pensar é que o pagamento do empréstimo que suporta o fundo seja assegurado depois por cada país, quer por via de um já sugerido aumento de contribuições, quer pela via da criação dos impostos europeus", prosseguiu o líder do PCP, acrescentando que "o que estão a pensar é abrir a mão a um adiantamento por conta, a pagamentos futuros", com a agravante de isto implicar a perda de "novas parcelas de soberania nacional em matéria de impostos, na definição de uma política de desenvolvimento industrial em nome de uma artificial soberania europeia".

Para o PCP o que se adivinha é um novo mecanismo "para sugar competências nacionais e os recursos financeiros de cada país", num contexto em que "Portugal precisa de pôr em marcha um verdadeiro programa de desenvolvimento do país, mas não ditada pelas grandes potências europeias e pelas multinacionais".

E se a "situação extraordinária" causada pela pandemia exige novas medidas, o caderno de encargos do PCP passa também pelas exigências de sempre. "É preciso manter viva a luta pelo aumento geral dos salários, a valorização das carreiras e profissões, bem como a revogação das normas gravosas da legislação laboral e, em particular, da caducidade da contratação coletiva e da reposição do princípio do tratamento mais favorável" - questões em que o PCP tem insistido na Assembleia da República, mas que têm esbarrado no voto contra do PS, PSD e CDS.

Sublinhando que o país precisa de "medidas de grande fôlego e de resposta de longo prazo para enfrentar uma situação extraordinária", Jerónimo de Sousa defendeu que "este é um momento de emergência para a ação do partido", sublinhando que isso exige "um partido a funcionar", afirmando o princípio de "nem um direito a menos". E isso inclui "preparar a Festa do Avante!, avaliando as circunstâncias atuais e tomando as medidas de proteção necessárias".

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