O início de uma "vida nova" em Portugal? Será?

Marcelo Rebelo de Sousa quer um país a reinventar-se. Um apelo no arranque do ano e horas antes do início dos debates para as eleições legislativas que já deram vozes inflamadas e acusações de vários tons. No Desporto, enquanto um português brilhou no Dakar, na Austrália há um líder mundial que não foi autorizado a entrar no país por não ter a vacinação contra a covid-19.

Sábado

Presidente pede: "Ano novo, vida nova."

Consolidar, decidir, reinventar, reaproximar e virar a página. Foram estes os cinco desafios que o Presidente da República lançou aos portugueses no seu discurso de Ano Novo. Uma intervenção em que evitou falar de eleições - talvez por saber que pode vir a ter de desempenhar um papel de mediador entre partidos no pós-30 de janeiro quando se souberem os resultados das legislativas -, mas em que deixou claro que o país tem de "virar a página". Para alcançar essa mudança quer mais crescimento, menos pobreza, menos egoísmo. E ainda alertou para temas que passaram despercebidos nos comentários: aumento da energia, do custo de vida e dos bens essenciais. Na realidade, o que de facto afeta as pessoas. Mas não se ouviu os partidos a comentar esta parte...

Domingo

O candidato da "extrema-direita" e a "excelente atriz"

A 28 dias das eleições legislativas arrancaram os debates televisivos. Durante duas semanas os líderes dos vários partidos tentam mostrar os seus argumentos para conquistar eleitores e "preparar" o terreno para a campanha eleitoral. No primeiro dia o debate PS (António Costa)-Livre (Rui Tavares) foi tranquilo, mas já o segundo "prato" do dia animou mais a pré-campanha. Catarina Martins (BE) e André Ventura (Chega) não surpreenderam pelos temas escolhidos - a corrupção pelo BE, os subsídios e os rendimentos mínimos pelo lado do Chega, por exemplo. Surpreendente terá sido a forma de estar da coordenadora do Bloco que nunca respondeu à pressão do opositor de quem nunca disse o nome e tratou sempre como o candidato da "extrema-direita". Ao que este lhe respondeu dizendo que era uma "excelente atriz".

Segunda-feira

Escolas abrem com vacinação exclusiva para crianças e professores

Com os casos de infeções a aumentar praticamente todos os dias - mas com o número de internamentos e de óbitos a não acompanhar essa subida exponencial graças à elevada taxa de vacinação - e a pressão sobre o que se iria passar com as escolas a crescer, o governo teve de vir a terreiro garantir que sim, as escolas iriam abrir no dia 10 de janeiro. Uma certeza dada pelo secretário de Estado adjunto e da Saúde António Lacerda Sales que assim permitiu esperança para os pais, alguns pediatras e médicos que querem ver esse regresso ao ensino presencial. A defesa da saúde física, mental, social e psicológica das crianças foi sempre o argumento para não manter as escolas fechadas. E para que tudo decorra pelo melhor até foi decidido que entre quinta e domingo os centros de vacinação são exclusivos para crianças (de manhã) e pessoal docente e não docente (à tarde).

Terça-feira

"Ele está comigo." Joaquim Rodrigues Jr. não esquece cunhado

Para muitos portugueses o nome de Joaquim Rodrigues Jr. nada dizia até este dia. Só os adeptos dos desportos motorizados estariam a par da carreira deste piloto de Barcelos ao comando de uma moto. Mas neste dia foi o mais rápido, em motos, na terceira etapa do Dakar, obtendo para Portugal a nona vitória, sexta de um motard, no emblemático rali, e a primeira do homem da Hero Rally 450. Este triunfo teve ainda um outro simbolismo especial: Joaquim Rodrigues era cunhado de Paulo Gonçalves que morreu no Dakar em 2020. No final, não esqueceu o amigo: "Pensei para mim "ele está aqui comigo hoje". No final, ganhámos. Fomos nós os dois... eu e ele, ganhámos hoje", lia-se no comunicado divulgado pela organização. Um dia que, certamente, ajudou a esquecer o desgosto e a depressão que sofreu após a morte de Paulo Gonçalves.

Quarta-feira

Djokovic e o Open da Austrália. Para já fica num centro de detenção

O Open da Austrália, o primeiro dos Grand Slam de ténis, ainda não começou e já está envolvido numa polémica implicando a diplomacia. A figura central é o líder do ranking ATP Novak Djokovic. Conhecido pela decisão de não se vacinar contra a covid-19, o sérvio foi alimentando o tabu sobre a sua situação, garantindo que iria estar presente na prova, e até pediu um visto para entrar na Austrália, solicitando uma isenção médica. O problema foi que ao chegar a Melbourne as autoridades não o deixaram passar do aeroporto e até o colocaram num centro de detenção. A explicação: além de só poder entrar na Austrália quem estiver vacinado, parece que o visto que apresentou era de trabalho e estaria mal preenchido. O certo é que a decisão das autoridades provocou protestos e movimentações diplomáticas entre a Sérvia e a Austrália. À espera de uma decisão, o tenista foi colocado num centro de detenção. Certo é que esta situação deu uma ótima oportunidade aos movimentos antivacinas. Já Djokovic fica a aguardar uma decisão sobre o futuro, que não deve passar pelos courts do Open da Austrália. E se passar muitos vão ser os protestos. Agora do lado oposto...

Quinta-feira

A responsabilidade da saúde pública fica a depender de cada um

O país vai "virar a página" no que diz respeito à forma como lida com a situação pandémica. Para começar, o Conselho de Ministros decidiu manter a abertura das escolas para a data marcada - 10 de janeiro. Por outro lado, quem já tomou a dose de reforço da vacina contra a covid-19 deixa de fazer testes para entrar nos locais onde tal é obrigatório, ao mesmo tempo essas pessoas deixam de cumprir isolamento. Nas escolas, um caso positivo numa turma já não representa a necessidade de toda a turma ir para casa. O certificado digital continua a ser necessário para o acesso a restaurantes, estabelecimentos turísticos e alojamento local, espetáculos culturais, eventos com lugares marcados e ginásios. Com o número de casos a subir exponencialmente, mas com os internamentos e os óbitos a registarem aumentos menores, o governo considerou que era a altura de dar um passo em frente. E de passar a responsabilidade da vigilância da saúde pública para cada indivíduo, até porque o SNS não aguentou o volume de procura...

Sexta-feira

Tancos. Condenados por terrorismo. E um ex-ministro ilibado

A condenação por terrorismo foi a decisão mais forte dos juízes que julgaram o processo do furto e recuperação de material militar dos Paióis Nacionais de Tancos. A penas de prisão efetiva foram condenados o autor confesso do furto, João Paulino (oito anos) e os dois homens que o ajudaram a retirar o material militar dos PNT na noite de 28 de junho de 2017, João Pais (cinco anos) e Hugo Santos (sete anos e seis meses). Dos 23 acusados, além dos três condenados a prisão efetiva, nove foram condenados a penas suspensas. Já o ex-ministro da Defesa Azeredo Lopes foi absolvido. O antigo governante que se demitiu em outubro de 2018 na sequência do envolvimento no processo estava acusado e pronunciado por quatro crimes: denegação de justiça e prevaricação, favorecimento pessoal praticado por funcionário, abuso de poder e denegação de justiça. Mais de três anos depois diz que sai do processo de "cabeça levantada e sem um reparo".

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