Fundação Getúlio Vargas é sinónimo de Brasil de excelência

Getúlio Vargas é um tão nome prestigiado como polémico no Brasil, o presidente que chegou a ser ditador, mas que eleito uma segunda vez para o cargo não aguentou a ideia de um novo golpe depô-lo e antes disso deu um tiro no coração. Visitei um dia no Rio de Janeiro o Palácio do Catete, antiga sede da presidência, e vi o quarto onde Getúlio (poucos são os políticos aos quais o povo trata pelo primeiro nome) se suicidou em 1954. Do seu legado consta muita legislação social, também a decisão de enviar tropas combater os nazis na Europa, certamente o lugar do Brasil entre os vencedores da Segunda Guerra Mundial e um papel-chave na criação das Nações Unidas. Não teve o gigante lusófono direto a um dos cinco assentos permanentes no Conselho de Segurança, mas a tradição compensou-o com o privilégio de ter o primeiro discurso na Assembleia Geral, que se reúne todos os anos.

Ora, Getúlio Vargas é também nome de uma fundação. E essa, para grande orgulho dos brasileiros, está entre os think tanks mais reputados do mundo. Desta vez, o Brasil, ou a sua instituição, tem lugar mesmo entre os cinco grandes, numa classificação feita pela Universidade da Pensilvânia e que começou já há três décadas.

Fiquei a saber desse quinto lugar entre os melhores think tanks do planeta graças a um post no Facebook de Oliver Stuenkel, um dos mais geniais membros desta fundação com sede no Rio, mas também presente em São Paulo, Brasília e noutras cidades.

"Rússia é hoje um ator que não se compara com China ou EUA", foi o título da entrevista que fiz em Lisboa a Stuenkel, autor de livros como O Mundo Pós-Ocidental. Estávamos em 2016, com o DN ainda no edifício histórico na Avenida da Liberdade, pois a fotografia mostra o brasileiro junto ao mapa-múndi de Almada Negreiros.

O primeiro lugar da tabela dos think tanks é ocupado pelo Carnegie Endowment for International Peace, dos Estados Unidos. O segundo posto é para o Bruegel, baseado na Bélgica. E antes da Fundação Getúlio Vargas ainda surgem os franceses do IFRI e os americanos do CSIS. Para se perceber o notável que é a posição da fundação brasileira, a britânica Chatham House é sexta, o americano Wilson Center, décimo, o também americano Rand é 12.º, o sueco SIPRI é 31.º e o conceituado think tanks espanhol Elcano fica em 47.º. A escolha baseia-se em votações de dois mil académicos, diplomatas, jornalistas, empresários, etc., de todo o mundo.

A Fundação Getúlio Vargas, que já celebrou 75 anos, foi criada para dotar o Brasil de gente bem preparada para funções no Estado ou no setor privado. Este quinto lugar é prova de excelência brasileira, um país demasiado grande para dele se ter visões parciais.

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