Premium Costa Rica. Os desafios de um país sem exército há mais de 70 anos

Depois da Guerra Civil de 1948, o novo presidente aboliu o exército e criou um oásis numa região que viria a ser palco de golpes militares, ditaduras e inúmeros conflitos. Apesar de a Costa Rica não sair ilesa da violência que assola os vizinhos, a aposta na educação e na saúde contribuiu para o desenvolvimento a longo prazo do país. "Pura vida!", como dizem os ticos.

Georgina González estende uma manta num recanto relvado no pátio do Museu Nacional da Costa Rica, em San José. Da pequena mochila, o filho de 4 anos tira um conjunto de livros infantis. O plano é aproveitar as férias escolares e o facto de o Sol estar a espreitar por entre as nuvens para uma manhã de histórias. "Feliz a mãe costa-riquenha que sabe ao dar à luz que o seu filho nunca será soldado", disse um dia o filantropo japonês Ryoichi Sasakawa, ao visitar a Costa Rica. A 1 de dezembro de 1948, neste mesmo pátio que era então do quartel Bellavista, o presidente José Figueres Ferrer anunciava a abolição do exército, derrubando com um maço parte do muro que separava o edifício da cidade e deixando a sua marca no país.

"O facto de não termos exército é algo a que damos ainda mais valor quando vivemos noutros países. Eu vivi nos EUA, estive na Europa e pude ver a presença militar em alguns desses lugares. Para os ticos - os costa-riquenhos - é um choque ver militares de uniforme nas ruas, com armas. Não estamos acostumados", conta ao DN Georgina. "Mas vê-lo permitiu-me dar ainda mais valor àquilo que tenho no meu país, algo que também definiu o meu próprio carácter e o dos outros costa-riquenhos", explica a engenheira industrial, que a maternidade surpreendeu aos 42 anos e que além de se dedicar ao filho tem dado aulas na universidade.

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