Solidariedade com turcos e gregos 

Hotéis de cinco estrelas evacuados em Bodrum, uma lindíssima cidade turca no Egeu que todos os anos atrai milhares de turistas, e florestas a arder em redor da antiga Olímpia, cujas ruínas na Grécia de hoje relembram a origem dos Jogos Olímpicos. Têm sido dramáticos os últimos dias tanto na Turquia como na Grécia, com uma vaga de calor a transformar vastas áreas destes dois países do Mediterrâneo Oriental em palco de vários incêndios incontroláveis. Há notícias de mortos tanto na Turquia como na Grécia e a situação é tão difícil que tanto Ancara como Atenas tiveram de pedir auxílio internacional. Neste momento, aviões russos, ucranianos, azeris e croatas lançam água sobre os fogos turcos, aviões cipriotas e suecos fazem o mesmo sobre as chamas que devastam a Grécia, e vêm franceses e britânicos a caminho.

À tragédia ambiental soma-se o drama humano, com oito mortos na Turquia e dois na Grécia. Existem também milhares de desalojados, uns porque as suas casas arderam, outros porque tiveram de abandonar as aldeias e vilas para prevenir o risco de serem surpreendidos pelas chamas.

O que é mais surpreendente é que, apesar de os incêndios não darem sinal de abrandar, tanto na Turquia como na Grécia os ataques políticos aos governantes estão em crescendo. Tanto o Presidente turco, Recep Erdogan, como o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, estão a ser acusados pela oposição de não terem preparado os respetivos países para a esperada época de incêndios, que costuma chegar com maior ou menor intensidade todos os verões. Mas num caso ou no outro é impossível não responsabilizar quem hoje não governa mas no passado o fez, não deixando contributo relevante nesta área. E se na Turquia o Partido Republicano do Povo esteve décadas no poder, mas pode alegar que há 19 anos que quem dirige o país é o AKP, de Erdogan, já na Grécia o Syriza facilmente fica fragilizado quando critica a direita, pois ainda em 2018, quando o país enfrentou fogos terríveis que mataram 102 pessoas, o seu líder, Alexis Tsipras, era o primeiro-ministro.

Portugal, em 2021, relativamente poupado pelos incêndios mas ainda sob forte risco de uma vaga de calor chegar na segunda quinzena de agosto, teve o seu ano mais terrível em 2017, com 66 mortos em junho, só em Pedrógão Grande, e depois mais meia centena nos fogos inesperados em outubro. À época também não faltaram os esforços para apontar o dedo politicamente, como se as explicações não fossem complexas, indo da desertificação humana do interior até à alteração da floresta tradicional, passando pela escassez de meios de combate e por falhas na investigação policial aos incendiários. E não esquecendo, claro, o próprio aquecimento global, que afeta muito a Europa do Sul.

Não há governo em Portugal no passado que se possa excluir de responsabilidades no estado a que o risco de incêndio chegou neste milénio, mas está na hora de olhar para a frente e começar a resolvê-lo. Aqui, na Turquia e na Grécia. Respeitar as mensagens da natureza seria sábio da parte de quem governa, seja qual for a ideologia, e a população em geral também deve aprender lições. Mas o prioritário agora é ser solidário com gregos e turcos e enviar a ajuda possível.

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