Premium Stanislav, o lisboeta que veio do frio

Lisboetas de fora. Dono de uma rede de cafetarias, Stanislav nasceu na Moldávia sob o regime soviético. Fala russo, romeno, alemão e polaco e daria um bom espião dos livros do género, mas em vez de ogivas nucleares aprendeu a manusear as temperamentais máquinas de café, que assim como os mísseis dos filmes de 007, podem aquecer as coisas quando não se carrega o botão correto.

As crianças, às vezes, podem ser cruéis. Lisboa, final dos anos 1990, e num certo dia o novato no liceu é recebido no recreio pelos colegas, que o estendiam embalagens de arroz. "Ouvi dizer que estás a passar fome", justifica um deles.

A guerra ainda arrasava os Balcãs e as notícias falavam em morte, dor e fome, mas apesar de a Moldávia estar à margem do conflito, o pequeno Stanislav aprendeu na escola que um grão de arroz, para além de hidratos de carbono, proteínas, sódio e fibras, contém sarcasmo. Naquele tempo, a palavra bullying era tão desconhecida como Quichinau, a capital moldava, e restou a Stanislav engolir o arroz e a provocação a seco, seguir a tática dos imigrantes, do silêncio, de se evitar o confronto, de usar o lego do espírito para montar uma estratégia de resistência, contrariar as expectativas e vencer.

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