Premium "O clima das gerações"

Greta Thunberg chegou nesta semana a Lisboa num dia cheio de luz. À chegada, disse: "In order to change everything, we need everyone." Respondemos-lhe, dizendo que Portugal não tem energia nuclear, que 54% da eletricidade consumida no país é proveniente de fontes renováveis e que somos o primeiro país do mundo a assumir o compromisso de alcançar a neutralidade de carbono em 2050. Sabemos - tal como ela - que isso não chega e que o atraso na ação climática é global. Mas vamos no caminho certo.

Greta Thunberg precisa de ser interpretada à luz da sua mensagem. Não precisa de ser reduzida de forma negativa como algumas pessoas e grupos têm feito. Por "interpretada" quero dizer que devemos encará-la mais em função do que defende do que pelas suas características e imagem. Porquê esta atitude com quem, à partida, parece uma criança? Há sempre aqueles que não gostam quando são confrontados com uma verdade. Sobretudo quando é uma "verdade inconveniente" e um aviso que roça, com algum atrevimento, a responsabilização. Já aqui tinha escrito uma vez que Greta lembrava, quando ficou conhecida, a menina do conto de Andersen O Rei Vai Nu. A diferença é que as alterações climáticas são bem mais reais e que com Greta não se trata apenas da ingenuidade que diz o óbvio, mas também do despertar da consciência ambiental responsável e coletiva dos jovens. Até porque ela já não é uma criança, mas uma adolescente que, como tantas outras, por vezes se zanga quando reivindica.

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