Nove passos para distinguir informação de fake news

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Nove passos para distinguir informação de fake news

A desinformação tenta manipular as opiniões, sobretudo em campanhas eleitorais como a que terminou esta semana em Portugal. Mas cada um de nós pode limitar os efeitos da propaganda falsa, fazendo duas perguntas simples

As notícias devem dizer-nos o que está a acontecer e porquê, permitindo-nos assim formar opiniões e agir, em sociedade. Se a informação que temos é falsa, as nossas opiniões serão frágeis, e quando muitas opiniões se baseiam em falsidades, em preconceitos, em erros ou falácias, a nossa vida comum - a democracia - está em risco. Numa era digital, em que mais e mais pessoas se informam a cada segundo, é fundamental sabermos distinguir uma notícia de um boato, bem como termos a capacidade de avaliar criticamente a informação que recebemos.

E isso deve preocupar-nos. Porque, na verdade, é o nosso nome que aparece quando sociabilizamos online. É a cada um de nós que cabe, antes de partilharmos qualquer coisa nas redes sociais ou de difundirmos qualquer informação a quem nos está mais próximo, fazer as perguntas certas. Uma no início, quando nos deparamos com uma história bombástica nas redes. E outra no fim, depois de termos reparado com atenção em alguns detalhes, simples.

1 - "Isto é verdadeiro ou é falso?"

A falsidade deixa rasto. Nos próximos passos mostramos como a desinformação pode ser detetada com alguma atenção.

2 - "Nunca ouvi falar deste site ou da pessoa que publica esta história"

Se o perfil que divulga a história não for de nenhuma pessoa que conhecemos, se a fotografia que usa parece ser falsa, ou se o nome do site que é partilhado não for de nenhum órgão de informação, desconfie.

3 - "Nenhum jornal deu esta notícia assim"

A história pode parecer plausível, pode até ser sobre um assunto real. Mas nos detalhes pode estar a desinformação. Se o título disser qualquer coisa a mais do que as notícias que leu, compare as versões e não acredite logo, antes de confirmar num meio de comunicação social.

4 - "O endereço (URL) e o formato da notícia são estranhos"

Esta é, muitas vezes, a evidência de que uma história não é de confiar. Os sites de informação, registados em Portugal, têm um endereço que termina em .pt, como o do Diário de Notícias (www.dn.pt). Se o site que divulga uma história sobre Portugal se chama notícias.br, é porque está registado no Brasil. Muitos sites que produzem desinformação em português estão registados fora do país.

5 - "Há tantos erros na escrita, parece tradução automática"

Muitas vezes, a desinformação usa métodos de disseminação automatizados. A tradução de textos, feita por aplicações online, é fácil de detetar. Geralmente, essa tradução é feita automaticamente para português do Brasil.

6 - "Não há citações de nenhuma pessoa"

Entre as várias regras do jornalismo está a do direito de resposta pelos visados nas notícias. Se alguém é acusado de alguma coisa numa história, os meios de comunicação social têm a obrigação de ouvir a sua versão dos factos, e acrescentar no contexto da notícia, mesmo que isso lance dúvidas sobre aspetos fundamentais da informação. Nas fake news, as acusações surgem descontextualizadas e sem qualquer fonte noticiosa.

7 - "A notícia está anunciada de forma estranha: 'Clica aqui e vais ver uma coisa extraordinária'"

Este mecanismo, conhecido como clickbait, anuncia, à partida, que não estamos perante uma notícia, mas uma tentativa de levar as pessoas a entrar num site (e que lhe vão proporcionar rendimentos publicitários).

8 - "As imagens parecem fabricadas"

A manipulação de imagens é um dos mecanismos mais frequentes de desinformação online. Pode ser difícil de detetar, mas há vários mecanismos disponíveis online para nos assegurarmos se uma foto é verdadeira ou falsa. Basta pesquisar em "imagens", no motor de busca. Para outros mecanismos ainda mais complexos de manipulação de vídeos, por exemplo (chamados de deep-fake), o melhor é duvidar, mesmo que veja, e ouça, alguém dizer alguma coisa estranha. Nesse caso, o melhor é voltar aos pontos 3 e 4 e duvidar, antes de acreditar.

9 - "Vou ou não partilhar esta história?"

Esta é a segunda pergunta que devemos sempre fazer, e porventura a mais importante. Porque a desinformação é um processo - tem os seus criadores, muitas vezes anónimos, os seus propagadores, que muitas vezes são máquinas, mas depende, em última análise, de pessoas concretas, como nós, para ser dominante e eficaz. Se aprendermos a ler a informação a que somos diariamente expostos - e que procuramos, também -, seremos mais capazes de a filtrar e escolher. Para percebermos se uma história é parcial, ao contrário da imparcialidade que devíamos exigir aos meios de comunicação na sua função de informar, deveremos saber colocar-nos algumas questões no momento da leitura. Se os factos apresentados não são baseados em nenhuma prova (citações, documentos, imagens, links), então a notícia pode ser ou parecer um rumor, uma especulação. No fim, o debate público depende sempre da nossa capacidade de escolher a informação que partilhamos.

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