Geringonça de direita avança nos Açores. Chega e PAN garantidos?

O PSD/Açores conseguiu entender-se com o CDS e PPM para impedir os socialistas de formar governo na região. Mas ainda há dúvidas sobre o apoio do Chega. PAN também deverá dar a mão à geringonça de direita. E o IL para já só rejeita um executivo socialista.

A coligação está em marcha entre o PSD, CDS e PPM nos Açores para formar uma coligação de governo, já apelidada de geringonça de direita, e impedir os socialistas de tomarem conta do poder. Mas o apoio que falta para a maioria de 29 deputados no Parlamento Regional ainda não está fechado.

No Chega, com dois mandatos, há aparente dessintonia entre a estrutura regional e André Ventura, sobre o apoio a dar a um governo liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro.

Na segunda-feira, o líder do Chega/Açores, Carlos Furtado, tinha manifestado o apoio parlamentar do partido à solução governativa apresentada por PSD, CDS e PPM: "Da nossa parte, existirá o apoio possível, em termos parlamentares, que é um apoio imprescindível para que haja uma governação sólida, estável e duradoura, e esse será o nosso contributo durante esses quatro anos", assegurou o líder regional do Chega, Carlos Furtado.

André Ventura, líder do partido a nível nacional, veio contrariar este apoio incondicional. Num post no Facebook, escreveu: "Talvez seja preciso dizer mil vezes... Mas eu digo : não há acordos ou qualquer viabilização se não houver compromisso nas questões essenciais. Diminuição de RSI, luta contra a corrupção e diminuição no número de deputados e cargos políticos. Esta é a nossa génese, habituem-se!" Ou seja, faz depender esse apoio do PSD avançar com um projeto de revisão constitucional e apoiar as propostas do Chega, o que não parece ser o caminho de Rui Rio.

Mas os sociais-democratas açorianos estão convictos que acabarão mesmo por contar com o apoio na Assembleia Legislativa Regional dos dois deputados eleitos pelo Chega. Fontes regionais garantem também ao DN que o PAN , que também conseguiu eleger um deputado, já negociou com o PSD e acabará por dar o seu apoio a um executivo de direita. O que a verificar-se, mesmo sem acordos escritos, chegaria para ter a maioria de 20 deputados, em 57, no parlamento regional açoriano.

O Iniciativa Liberal também poderá ser mais uma peça a somar à maioria de direita, mas o seu líder regional, Nuno Barata, reserva a sua posição apenas com uma certeza, "a de que nunca irá apoiar uma proposta de governo do PS". O DN sabe que há uma semana que José Manuel Boleiro não voltou a falar com Nuno Barata para cativar o seu apoio. "O IL poderá ir da abstenção ao voto a favor, mas tudo depende de Bolieiro", frisou uma fonte do partido.

PS recebe apoio do Bloco

Artur Lima, do CDS, e Paulo Estêvão, do PPM, José Manuel Bolieiro, líder do PSD/Açores, anunciaram na segunda-feira uma "proposta de governação profundamente autonómica", um "governo dos Açores para os Açores" e com "total respeito e compreensão pela pluralidade representativa do povo". E é esta proposta que vão levar ao Representante da República na Região até final da semana, já que os resultados eleitorais serão amanhã publicados em Diário da República e Pedro Catarino terá dois dias para ouvir os partidos

O PS, liderado por Vasco Cordeiro, que venceu as eleições regionais nos Açores, elegendo 25 dos 57 deputados da Assembleia Legislativa Regional, e que só conta até agora com o apoio expresso do Bloco de Esquerda, que elegeu dois deputados, não tem apoio suficiente para apresentar uma proposta "sólida" e estável de governo. E tudo aponta para que acabe por assumir que caberá ao PSD liderar a formação do novo governo açoriano.

"É incompreensível que o PSD, para chegar ao governo, pondere sequer um acordo com um partido xenófobo, racista, intolerante e atentatório dos estatutos político-administrativos das regiões autónomas"

O Bloco de Esquerda/Açores, liderado por António Lima, disse esta terça-feira que "está disponível, se necessário", para viabilizar um programa de um executivo do PS, sem qualquer acordo de governo ou de incidência parlamentar.

Para o BE "é incompreensível que o PSD, para chegar ao governo, pondere sequer um acordo com um partido xenófobo, racista, intolerante e atentatório dos estatutos político-administrativos das regiões autónomas".

Mota Amaral traça xadrez político

Entretanto, o antigo presidente do Governo dos Açores Mota Amaral considerou que o "derrube de um governo minoritário" é "sempre possível a todo o tempo", a propósito dos resultados das eleições regionais do passado domingo.

Num artigo publicado na imprensa regional, intitulado "Cenários pós-eleitorais', o presidente honorário do PSD/Açores salienta que a "dinâmica vitoriosa" que o PSD demonstrou nas eleições deverá "ser preservada e consolidada", "valorizando o diálogo parlamentar" e definindo as "opções do Orçamento".

"O derrube de um governo minoritário ou que perca a maioria parlamentar de apoio é sempre possível a todo o tempo, bem como a realização de eleições antecipadas", escreve João Mota Amaral.

O presidente do Governo Regional de 1976 a 1995 salienta que o PS "perdeu deputados, perdeu votos e perdeu percentagem", e "considerou isso uma grande vitória".

"A liderança de José Manuel Bolieiro numa alternativa de governo iria colocá-lo, em importantes matérias financeiras e de relacionamento europeu, à mercê do governo António Costa/César, os quais, como se costuma dizer, não são propriamente de deitar 'água a pintos'"

"Pelos vistos, estavam à espera de que o resultado das eleições fosse muito pior. Não se percebe a razão por que o presidente [do PS] Carlos César, tendo sido anunciado como indo falar em nome do PS nacional, foi substituído por António Costa", assinala, referindo-se aos discursos na noite eleitoral.

Sobre os cenários pós-eleitorais, Mota Amaral indica a possibilidade de uma coligação entre PSD e PS, que, ressalva, não é "muito provável", porque o PS "perderia muito poder" e o PSD "não deve estar muito interessado em comprometer-se com as medidas necessárias ao saneamento das finanças públicas".

"Irá o PS tentar seduzir o CDS, seu companheiro de jornada em tantos orçamentos anteriores, para um acordo? É possível, mas não é suficiente para a almejada maioria parlamentar. Teria de se adicionar então o PAN", afirma.

A outra alternativa, diz o antigo líder regional, seria uma coligação à direita encabeçada pelo PSD/Açores, presidido por José Manuel Bolieiro.

"A liderança de José Manuel Bolieiro numa alternativa de governo iria colocá-lo, em importantes matérias financeiras e de relacionamento europeu, à mercê do governo António Costa/César, os quais, como se costuma dizer, não são propriamente de deitar 'água a pintos'", aponta.

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