Vieira investiu mais de 560 milhões em jogadores desde que é presidente do Benfica

Com as eleições à porta, o líder encarnado faz o maior investimento de sempre para recuperar a liderança interna e o prestígio internacional. O regresso de Jorge Jesus confirma o tempo das vacas gordas na Luz, pois foi com este técnico que o Benfica mais investiu, com uma média de 43,7 milhões de euros por época.

564 milhões de euros. Foi este o montante que o Benfica investiu na contratação de jogadores nas últimas 17 temporadas, ou seja, desde que, a 3 de novembro de 2003, Luís Filipe Vieira foi eleito 33.º presidente da história dos encarnados.

E numa altura em que o Benfica procura recuperar a hegemonia do futebol português, perdida nas últimas três temporadas em que deixou fugir dois títulos de campeão para o FC Porto, e tenta também recuperar o prestígio europeu que se desvaneceu nas últimas épocas com fracas participações na Liga dos Campeões, eis que o clube da Luz bate o recorde nacional de investimento numa só época, com um total de 81,5 milhões de euros. Para isso muito contribuíram os 24 milhões de euros da contratação ao Almería do avançado uruguaio Darwin Núñez, que se tornou o futebolista mais caro do futebol português.

Para se ter noção do esforço que o Benfica está a fazer para se relançar, basta dizer que na época passada já tinha sido estabelecido um novo recorde de investimento em reforços, num total de 63,5 milhões de euros. Ou seja, nas duas últimas épocas, os encarnados gastaram 145 milhões de euros, o que representa 25,7% do valor total investido em jogadores desde que Vieira assumiu a presidência.

Bem vistas as coisas, das dez transferências ​​​​​mais caras da história do Benfica, sete foram mesmo realizadas nos últimos dois anos, pois além de Darwin Núñez chegaram ainda Everton (20 milhões de euros), Julian Weigl (20), Raúl De Tomás (20), Pedrinho (18), Carlos Vinícius (17) e Luca Waldschmidt (15). Os únicos que foram contratados antes são Raúl Jiménez (22 milhões de euros) em 2015, Rafa Silva (16) em 2016 e Pizzi (14) em 2013.

Eleições à porta e recordes de vendas

Este facto não pode ser dissociado também do facto de o Benfica ter eleições em outubro e que, pela primeira vez em 17 anos de reinado, Luís Filipe Vieira tem uma oposição que promete dar luta nas urnas, com quatro candidaturas já apresentadas encabeçadas por João Noronha Lopes, Rui Gomes da Silva, Bruno Costa Carvalho e Francisco Benitez. Na prática, um início forte de temporada - na qual está em jogo a entrada na fase de grupos da Liga dos Campeões - será um trunfo importante para apresentar aos sócios, antes de escolherem entre Vieira e as outras quatro listas a sufrágio.

Se é verdade que os valores envolvidos nas contratações ultrapassam o meio milhão de euros em 17 anos, tem de se ter em consideração que do outro lado da balança há um total de 1116,8 milhões de euros que o Benfica encaixou em vendas de jogadores neste período.

Na prática, o investimento é menos de metade das receitas geradas com a saída de atletas, tendo a época de 2019-20 sido a mais lucrativa, com um total de 223,5 milhões de euros, dos quais 126 milhões foram com João Félix. Aliás, em outras quatro temporadas consecutivas - entre 2014-15 e 2017-18 -, o Benfica ultrapassou os cem milhões de euros, o que pode explicar a viabilidade do investimento que está a ser feito neste momento.

Jesus com mais dinheiro do que outros treinadores

O regresso de Jorge Jesus, o treinador com mais sucesso na era Vieira, representa outro trunfo e um sinal de que esta é a hora de investir, depois dos bons resultados financeiros exibidos nos últimos exercícios e da menor competitividade desportiva da equipa de futebol.

É que a presença de Jesus como treinador do Benfica tem tido como consequência natural o investimento em jogadores. Basta para isso verificar que nas sete épocas (já contando com a atual) sob o comando do técnico de 66 anos foram gastos até ao momento 305,99 milhões de euros, à média de 43,7 milhões de euros por temporada.

Para se ter uma noção da diferença, basta referir que nas restantes dez épocas em que o treinador não foi Jesus, o Benfica investiu 257,91 milhões de euros, à média de 25,8 milhões de euros por temporada. Ou seja, uma diferença média de 17,9 milhões de euros.

Numa comparação direta com Rui Vitória, o segundo treinador com mais tempo de Benfica na era Vieira, com duas épocas e meia, verificamos que foi investido um total de 86,57 milhões de euros, o que corresponde a uma média de 28,85 milhões por época.

Sonho do penta com baixo investimento

Curioso é que só em três temporadas Luís Filipe Vieira investiu menos de dez milhões de euros. Nas duas primeiras do seu reinado, numa altura em que o clube atravessava dificuldades financeiras, razão pela qual os valores envolvidos nas contratações não chegaram aos seis milhões, e em 2017-18, ano em que o Benfica vinha de quatro títulos consecutivos, com os adeptos a sonhar com a conquista de um inédito penta.

Nessa época, o presidente encarnado desembolsou apenas 8,25 milhões de euros, tendo Krovinovic (3,5 milhões de euros) e Mile Svilar (2,5) sido os reforços mais caros. A essa verba pode ainda ser acrescentada a taxa de empréstimo de 1,7 milhões de euros cobrada pelo Inter Milão em relação ao avançado Gabriel Barbosa, que apenas ficou seis meses na Luz.

Vieira ultrapassa dragões

Se quisermos fazer uma comparação com o FC Porto, clube com quem o Benfica tem lutado palmo a palmo pela conquista dos títulos nacionais nas últimas 17 épocas, chegamos à conclusão de que os dois emblemas gastaram uma verba aproximada neste período. É que aos 563,9 milhões de euros investidos na Luz respondem os dragões com 540,5 milhões de euros pagos em transferências de futebolistas.

Aliás, até à abertura do atual mercado, era mesmo o FC Porto que liderava esta corrida aos reforços neste período, com uma vantagem de 50 milhões de euros. Só que nesta altura da janela de transferências de verão, o Benfica já ultrapassou o rival ao fazer um investimento de 81,5 milhões de euros até ao momento, contra apenas oito milhões investidos pelos dragões, que têm de lidar com o peso das restrições do fair-play financeiro da UEFA.

Já no que diz respeito a títulos de campeão nacional nestes 17 anos, incluindo a época 2003-04, durante a qual Luís Filipe Vieira iniciou o seu primeiro mandato, o saldo é favorável ao FC Porto, com dez campeonatos conquistados, contra sete do Benfica.

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