Premium Do céu de Berlim à imaginação cinematográfica

No mundo dos filmes, de Wim Wenders a Jean-Luc Godard, a reunificação da Alemanha confunde-se com um labirinto de factos e personagens que nos remete até às heranças trágicas da Segunda Guerra Mundial.

Em fevereiro de 1990, o Festival de Berlim exibiu, extracompetição, o filme Spur der Steine (à letra: "Trilha de Pedras"), uma produção da República Democrática Alemã com data de 1966. O seu simbolismo histórico e político era incontornável, reforçado pelo facto de a queda do Muro ter ocorrido apenas três meses antes. Realizado por Frank Beyer, nele se fazia o retrato crítico de uma unidade da indústria petroquímica, cujo funcionamento caótico, pontuado por alguns esquemas de corrupção, estava longe de ilustrar a competência celebrada pelo discurso oficial das autoridades comunistas. Era, além do mais, uma genuína revelação, já que, na estreia, Spur der Steine tivera apenas alguns dias de exibição, permanecendo proibido ao longo de 23 anos.

Não admira que a história cinematográfica das "duas" Alemanhas seja pontuada pelo desejo amargo e doce de uma unidade utópica. Nessa perspetiva, o mítico As Asas do Desejo (1987), de Wim Wenders, define um momento tanto mais importante e sugestivo quanto não obedece à cronologia decorrente dos factos históricos.

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