Premium Mistério na Amazónia. Quem matou o cacique Emyra Wajãpi?

Índios e órgão estatal acusam grupo de garimpeiros de esfaqueamento ocorrido dia 22. ONU culpa, indiretamente, Bolsonaro, por estimular caça ao ouro na floresta. A polícia intensifica investigações.

Na tarde do dia 22 de julho, Emyra Wajãpi, de 68 anos, chefe da aldeia Waseity, voltava de visita à filha numa região vizinha quando foi esfaqueado no meio da mata. O corpo foi encontrado na manhã seguinte, a boiar no rio, pela viúva. Nove dias depois, ainda não se sabe quem matou o chefe político índio. O crime é atribuído a garimpeiros pelos índios da tribo wajãpi e pela Funai, a fundação estatal brasileira que cuida dos direitos indigenistas. E surge no meio da apresentação de um controverso projeto do governo Bolsonaro para legalizar a caça ao ouro em terras indígenas, conforme prometido em campanha.

Os cerca de 25 agentes da polícia federal e do batalhão de operações especiais, o BOPE, enviados à região não encontraram ainda sinais de invasão das terras wajãpi, na região oeste do estado do Amapá, por garimpeiros. O facto de o crime não ter sido testemunhado também dificulta a resolução do mistério. O procurador da República Rodolfo Lopes disse que embora "não tenham sido detetadas pegadas, fogueiras ou outros elementos específicos da presença de humanos [sic] na região, ainda não está descartada a possibilidade de realização de novas diligências". Por exemplo, deve ser desenterrado o corpo nas próximas horas, apesar de a prática atentar contra os costumes indígenas, e submetê-lo a perícia.

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