O regresso de Fernão de Magalhães em BD a Portugal 500 anos depois

As comemorações dos 500 anos da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães passam hoje por Lisboa, com a apresentação do álbum de banda desenhada Magalhães - Até ao Fim do Mundo, de Christian Clot.

"Magalhães é um enigma. É um dos maiores exploradores de todos os tempos, revolucionou a navegação mundial, e no entanto ninguém conhece a sua vida. É apresentado, por vezes, como um ser austero, frio e pouco afável? Com que base, pois praticamente não existe nenhuma linha, nenhum escrito, da sua autoria? Tudo foi destruído." É assim que o explorador francês Christian Clot apresenta o seu álbum de banda desenhada sobre o famoso navegador português.

Clot estará hoje no Museu de Marinha em Lisboa e é o autor do argumento do álbum, que conta com a colaboração de Bastien Orenge e Thomas Verguet nas ilustrações, numa coedição da editora Gradiva e da Comissão Cultural de Marinha.

O álbum já foi lançado em França e relata a história do português que, ao serviço de Espanha, deu a primeira volta ao mundo. "Sem o saber, pois partiu apenas para descobrir uma nova rota para as ilhas das especiarias e para as riquezas", diz Christian Clot. Segundo o autor, "Magalhães terá de renunciar a tudo: aos seus ideais, ao seu amor de juventude e à sua pátria e terá de lutar durante meses sozinho contra todos para conseguir uma armada com que irá afrontar mares desconhecidos, tempestades terríveis, motins e traições".

Christian Clot interessou-se por Fernão de Magalhães por ser ele também um explorador, tendo dirigido expedições científicas em ambientes extremos no nosso planeta, e realizado conferências, livros e filmes. A opção da banda desenhada deve-se ao seu fascínio desde sempre pela nona arte.

A celebração da data dos 500 anos vai reunir os esforços de Portugal e de Espanha, uma colaboração que foi recentemente anunciada pelos ministros da Cultura de ambos os países, Luís Filipe Castro Mendes e José Guirao Cabrera, durante a apresentação do quadro A Rendição do Eleitor da Saxónia perante o Imperador Carlos V, de Luca Giordano, no Museu Nacional de Arte Antiga. A pintura integra a exposição resultante do programa de intercâmbio cultural entre os dois países por ocasião das comemorações dos 500 anos da circum-navegação realizada por Fernão de Magalhães e, refere o ministro português, "viajará pelo mundo".

O navegador português nasceu em 1480 e morreu nas Filipinas em 1521, com 41 anos, após ter iniciado a viagem de circum-navegação em 1519, expedição que terminou em 1522 já sem o comando de Fernão de Magalhães. A sua grande experiência marítima decorria de várias expedições em que participou, como em 1506 ao viajar para as Índias Ocidentais, onde integrou ações militares nas Molucas. A frota que capitaneou ao serviço do rei de Espanha passou pela Terra do Fogo, atravessou o estreito a sul do continente sul-americano, que recebeu o seu nome, e navegou pelo oceano Pacífico. Nas Filipinas, numa batalha em Cebu, foi morto, sendo a expedição terminada por Juan Sebastián Elcano.

Magalhães - Até ao Fim do Mundo

Argumento de Christian Clot e ilustrações de Bastien Orenge e Thomas Verguet

Editora Gradiva

60 páginas

Apresentação hoje em Lisboa, pelas 17.30, no Pavilhão das Galeotas do Museu de Marinha, com a presença do autor.

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