"Se fosse primeiro-ministro trazia os holandeses para nos ajudarem"

Em contraciclo, a WeDo cresce em faturação em áreas cruciais na era digital. CEO da tecnológica está otimista com o negócio mas pessimista quanto ao país e receia pelo mau uso dos fundos da UE.

Para a recuperação da economia o país vai receber fundos da UE. Tem receios quanto ao bom uso desses fundos e seu escrutínio?
Eu não estou com receio, tenho a certeza que vai acontecer. Já fomos três vezes à falência; agora vamos pela quarta. Por uma razão diferente, mas obviamente que vamos. Não temos forma de aguentar um impacto destes que não seja ajudarem-nos. Tivemos três hipóteses e falhámos as três hipóteses. Nesta quarta, como é lógico, a disrupção é fazer diferente. Fazer totalmente transparente e, mais importante, trazer a isto os stakeholders. Vou dizer uma coisa que parece ridícula a toda a gente: os holandeses criticam-nos porque nos emprestam dinheiro e nós o estouramos; então vamos trazer os holandeses para fazerem parte desse escrutínio. O que nós tínhamos de fazer era trazer quem critica para nos ajudar. Era o que eu faria se fosse primeiro-ministro. Diria ao holandês: nomeia a equipa, põe-na cá; ajudem-me a fazer isto e escrutinem connosco.

E há essa humildade política?
Acho que não. Os ingleses têm o Horta Osório no Banco de Inglaterra, um português. Nós não conseguimos fazer isso porque não queremos que nos ponham em causa ou que descubram coisas.

Falando de escrutínio, concorda com a alteração dos debates parlamentares de quinzenais para de dois em dois meses?
Acho é que deviam mudar o conceito. Tinha de ser pelo tema a abordar, numa cadência que podia ser diária mas com interlocutores diferentes. Também não acho bem esta coisa muito latina que é chegar lá o primeiro-ministro e parece que tem de saber dos temas todos - e se não responder parece que é um incompetente. Há muito mais a fazer. Poderia fazer-se a elencagem dos temas e a pessoa que tem a pasta iria falar. Se calhar às segundas ia o ministro da Economia, às terças o da Saúde, etc. e o primeiro-ministro iria uma vez por mês. Não era preciso mais que isso. E que se fechasse com uma conclusão e um plano de ação.

Leia a entrevista completa ao CEO da WeDo no Dinheiro Vivo

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