Vinhos de várias regiões distinguidos com 140 medalhas de ouro e prata

Concurso Uva de Ouro testou cerca de 500 vinhos e premiou 140. Agora quer descobrir os produtores mais pequenos e promovê-los no mundo. A gala de entrega de prémios aconteceu esta sexta-feira em Vila Nova de Gaia.

À 7.ª edição, o concurso de vinhos Uva de Ouro, o maior evento em volume de Portugal para aferir da qualidade deste produto fundamental em termos sócio-económicos e culturais para o país, vai procurar refinar a atenção aos produtores locais, de menor escala, e capitalizar o prestígio, o nível elevado e o conhecimento a nível internacional. A entrega dos 140 prémios (47 medalhas de ouro e 93 de prata), atribuídos após provas muito rigorosas e exigentes a cerca de 500 vinhos diferentes, decorreu sexta-feira no Hotel The Yeatman, em Vila Nova de Gaia.

Com o rio Douro, que cruza uma das mais prestigiadas regiões nacionais, a engalanar-se para receber o Portugal vinhateiro, entre o luminoso sol do fim de tarde e a temperatura veraneante, compondo o quadro paisagístico de absoluta perfeição, os organizadores fizeram o balanço de um primeiro ciclo de afirmação plena em todo o território e regiões demarcadas.

"O mais interessante foi talvez encontrar e conseguir a validação da qualidade de todas as regiões nacionais. Esta foi uma das aprendizagens deste concurso. Conseguiu-se medalhar vinhos não só das regiões mais destacadas de venda e que os consumidores mais referem, mas de todas . Um júri profissional, num concurso totalmente isento e inspecionado pelo Instituto do Vinho e da Vinha, foi encontrar em todas essas regiões vinhos de qualidade, destacando-a com medalhas", comentou o enólogo Aníbal Coutinho, diretor técnico do Uva de Ouro.

E foi particularmente feliz a marcar a mudança de ciclo do "maior concurso de vinhos, em volume, de Portugal", uma iniciativa do Diário de Noticias, Jornal de Noticias e TSF, da Global Media Group, com o patrocínio do Continente desde a primeira edição inaugural em 2013. "Foi uma edição de consolidação. Já é a 7.ª. É como uma semana, que tem sete dias. Vai começar a segunda semana, que perspetivamos de forma muito mais natural e tranquila", disse simbolicamente o perito em vinho.

"Hoje em dia, este concurso, já consagra tanto as regiões mais emblemáticas e preferidas dos consumidores, como também as regiões que serão o futuro deste país", avançou Aníbal Coutinho.

E o futuro já se trabalha e tem horizontes de aldeia global, depois de consagrado praticamente todo o Portugal dos vinhos, de lés-a-lés e na variadíssima gama de oferta ("neste momento, já testámos todas as categorias de vinhos existentes, desde os espumantes aos vinhos tranquilos, aqueles que bebemos à mesa, em todas as suas cores, e ainda os vinhos fortificados, mais doces e que têm um bocadinho mais de álcool").

"Acho que este concurso pode dar mais voz à produção mais local, e isso é um desafio, ver como, porque, de facto, a produção local é importante do ponto de vista da economia social, do território, mas tem desafios a nível logístico, porque às vezes são mesmo pequenas produções que não podem estar em todo o lado. Um concurso nacional, ao medalhar pequenas produções, tem o desafio de as promover. É um desafio e estamos a estudar como fazê-lo", disse.

O enólogo acrescentou que "há também de perceber como é que estas medalhas podem, a partir deste momento em que têm uma disseminação nacional, como nenhum outro concurso tem, dar-lhe um cariz internacional, dar dimensão internacional a um concurso que é muito querido pela produção nacional. É outro desafio perceber como é que damos esse salto".

Com dezenas de produtores, enólogos, enfim, com a comunidade do vinho em peso no The Yetman, em clima de celebração, o Uva de Ouro, que "atingiu a maioridade", quer emancipar-se. "São dois desafios num ano em que a energia que colocámos é mais estável e que nos possibilita fazer outros caminhos na construção do concurso, que, até agora, não éramos capazes", conclui Aníbal Coutinho.

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