Venda de smartphones deve crescer 6% no 4.º trimestre

"Se houvesse capacidade de entrega, provavelmente seria dos melhores trimestres de sempre, em termos de vendas", diz a IDC

O Natal de 2021 será o segundo que o mundo atravessa em contexto pandémico. Mas, ao contrário do ano passado, o comércio em Portugal está a funcionar sem restrições de horário ou lotação e os portugueses têm dado sinais de quererem andar às compras. Por esta altura, muitos devem ser os que optam por adquirir um smartphone, tanto que a IDC estima uma subida nas vendas trimestrais.

Mas as disrupções nas cadeias de abastecimento, a escassez de matérias e as subidas de custos dos transportes configuram um travão a vendas mais expressivas destes dispositivos.

"A nossa expectativa de vendas de smartphones para Portugal é de um crescimento de 6,4% no quarto trimestre, e só não é maior porque não se espera que as fabricantes possam entregar produto. Se houvesse capacidade de entrega, provavelmente seria dos melhores trimestres de sempre, em termos de vendas, que vimos nas várias categorias", diz ao Dinheiro Vivo Francisco Jerónimo, vice-presidente da IDC na Europa para a área de dispositivos.

Os problemas nas cadeias de abastecimento afetam todo o mundo. As matérias-primas ou bens produzidos no Oriente muitas vezes chegam ao Ocidente através do transporte marítimo. Com a escassez de contentores, os preços escalaram, obrigando as empresas a ter de enfrentar, por um lado, a escassez de matérias-primas e de componentes e, por outro, uma subida dos transportes.

António Paulo, diretor-geral da DB Schenker em Portugal, questionado se há produtos que podem faltar nas prateleiras nestas semanas de maior consumo, assume que "o congestionamento portuário e os elevados custos de transporte que se estão a praticar, especialmente com origem no mercado asiático para o continente europeu, vão contribuir significativamente para que haja menos bens disponíveis para comercializar neste período. Os equipamentos tecnológicos/eletrónica de consumo assim como os têxteis/vestuário, etc. serão os que podem estar menos disponíveis".

Os números finais de vendas neste trimestre - que inclui o período da Black Friday, Ciber Monday e Natal - só serão conhecidos dentro de algumas semanas, mas o responsável da IDC não esconde que a perceção que tem é que o mercado tem estado preocupado com a falta de stock devido aos problemas nas cadeias de abastecimento. As campanhas da Black Friday poderão ter sido menos interessantes do que em 2020, aponta, com os retalhistas focados nos produtos que efetivamente poderiam entregar.

A falta de chips utilizados nos dispositivos eletrónicos pode também fazer-se sentir no Natal. Francisco Jerónimo admite que os problemas logísticos no globo podem atrapalhar as operações, pelo menos, na Europa.

Ana Laranjeiro é jornalista do Dinheiro Vivo

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