O que estará em cima da mesa para novo aeroporto "é o que o Governo decidir"

Líder da easyJet em Portugal apelou à retirada da base militar da Portela, o que permitiria um aumento do aeroporto. Relocalização da base custaria 50 milhões, diz Thierry Ligonnière, CEO da ANA Aeroportos.

A questão do novo aeroporto que vai servir a região de Lisboa anda de mãos dadas com o turismo. No congresso da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), a acessibilidade aérea é um dos temas e o CEO da ANA-Aeroportos defendeu, durante a sua participação num painel dedicado a esta temática, que no caso da solução Montijo como solução complementar à Portela - que estava prevista e uma das que vai ser analisada na Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) - pode demorar quatro anos a ficar pronta assim que houver luz verde. Mas admitiu que não haverá outro plano caso a decisão não seja esta, até porque o processo começará do zero, com a elaboração do projeto para a infraestrutura.

"Nós temos um projeto, temos empreiteiros com compromissos de preço para a construção de mais capacidade no curto prazo no Montijo. Temos uma lei que dá a um município um poder de veto para bloquear um projeto de interesse nacional. Depois da AAE, outra opção que não a do Montijo a ser seguida, é obvio que vai demorar mais tempo", disse.

Uma outra opção vai exigir "um novo projeto de aeroporto, uma nova avaliação ambiental". Questionado, o responsável assegurou que: "O que vai estar em cima da mesa é o que o Governo decidir. Nós somos uma concessionária de infraestruturas. Não decidimos nós. Temos capacidade de fazer propostas. Achamos que fizemos uma proposta que mais serve o País e esta indústria, uma solução rápida, é a solução mais barata que as outras. E é uma solução que tem menos impacto".

O gestor escolhido pela Vinci para liderar a concessionária dos aeroportos em Portugal garantiu que "podem contar connosco. Temos vontade de investir. Temos os projetos prontos e assim que tivermos possibilidade vamos" avançar.

A TAP também participou neste painel. Christine Ourmières-Widener, CEO da TAP Portugal, questionada sobre a possibilidade de transferir os hangares de manutenção da companhia para fora de Lisboa, assegurou que "não há projetos para mudar" essa unidade. "Quando olhamos para as outras companhias aéreas em Europa, todas têm uma parte significativa da infraestrutura de manutenção nos principais hub. É onde os aviões estão estacionados. Se tivermos de mover o avião para fora de Lisboa seria ineficiente", acrescentou.

José Lopes, diretor da easyJet para Portugal, destacou, por sua vez, que "o novo aeroporto é urgente" e que "tem de ser tomada uma decisão o quanto antes e ter em conta que tem de ser uma solução que solucione o problema por pelo menos 50 ou 60 anos".

"Entretanto, seja essa solução qual for, uma coisa é certa: não vai ser implementada em menos de quatro ou cinco ano ou dez anos. Temos de ter isso na nossa cabeça. Até lá, nós já estamos a perder oportunidade em Lisboa. É preciso que exista mais eficiência. Falou-se da NAV, é preciso que haja uma análise independente do serviço que é prestado. Podemos ter ganhos de eficiência porque é com a Portela que vamos viver nos próximos anos", acrescentou.

O Presidente da República marcará presença no encerramento do congresso. E o líder da low-cost apelou à influência de Marcelo Rebelo de Sousa para ajudar a retirar a base militar na Portela. "Temos muitas restrições, nomeadamente uma base militar no aeroporto, que tira mais do que a manutenção da TAP. Retirar a base militar da Portela traz ganhos efetivos na capacidade da Portela no curto prazo", defendeu.

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