Marta sucede a Paula em novo ciclo no império Amorim

Discreta e com uma carreira no setor da banca, Marta Amorim assume a presidência do grupo aos 48 anos.

Chegou a vez de Marta Amorim, de 48 anos, assumir os comandos de uma das maiores multinacionais portuguesas e dona da corticeira líder a nível mundial. A segunda filha de Américo Amorim, que morreu a 13 de julho de 2017, substitui a irmã Paula na presidência do império Amorim, a família que se tornou na mais rica de Portugal e que vai já na quarta geração.

Com um património avaliado em mais de 3,6 mil milhões de euros, segundo cálculos da revista Forbes, a fortuna da família Amorim continua a crescer graças ao negócio da cortiça. Mas o império vai além da maior corticeira mundial e estende-se pelos setores da energia, floresta, finanças, imobiliário, turismo, produção vinícola e luxo.

Tudo somado, o valor dos ativos do grupo coloca a família portuguesa no top das 500 mais ricas do mundo, ocupando a posição 484 do ranking dos multimilionários da Forbes.

A mudança na liderança do grupo já é oficial e será uma mera formalidade no âmbito do modelo de rotatividade na liderança do grupo, entre as três irmãs.

A vice-presidência foi entretanto assumida por Francisco Teixeira Rego, marido da filha mais nova de Américo Amorim, Luísa. Paula Amorim, que desde 2016 liderava o grupo, mantém-se na administração como vogal, acompanhada pela mãe, Fernanda Amorim, e por Jorge Seabra de Freitas.

Marta Amorim fez o seu percurso profissional no setor financeiro. É casada com Nuno Filipe Barroca de Oliveira, vice-presidente da Corticeira Amorim, e tem dois filhos. A gestora é administradora não executiva da Galp Energia desde outubro de 2016 e tem ocupado a vice-presidência do Grupo Américo Amorim, tendo ainda assento na administração na Amorim Energia, que detém 33,34% da empresa petrolífera. Desempenha ainda diversos cargos em empresas do grupo que conta com 150 anos de existência.

Carreira na banca

A nova líder do império Amorim é licenciada em Administração e Gestão de Empresas pela Universidade Católica Portuguesa e possui vários anos de experiência no setor bancário, nomeadamente no Banco Nacional de Crédito, que mais tarde passou a ser denominado Banco Popular e acabou por ser comprado pelo Santander.

Paula irá manter-se na liderança da Galp. A filha mais velha de Américo Amorim esteve aos comandos do grupo familiar desde que o estado de saúde do seu pai se agravou. Mas desde 2011 que estava na vice-presidência, e desde 2012 que liderava a Galp.

Antes de a filha assumir o comando, Américo Amorim liderou o império, até 2016. Jorge Armindo e Rui Alegre - marido de Paula Amorim até 2011 - foram gestores aos quais o empresário recorreu para o ajudarem na condução do grupo, fundado pelo seu avô no século XIX, em 1870.

Ao longo de 60 anos, Américo Amorim alargou o império familiar baseado no setor da cortiça e investiu na Galp e em vários bancos, incluindo no BCP.

Hoje o grupo emprega cerca de 4000 colaboradores. O ativo mais valioso do império é a posição de cerca de 18% na Galp, correspondente a cerca de 1,5 mil milhões de euros. Segue-se a Corticeira Amorim, com um valor bolsista de 1,3 mil milhões de euros. Neste setor, o grupo é líder mundial através de 78 empresas, das quais 28 são unidades industriais de transformação. Os produtos de cortiça do grupo estão presentes em mais de uma centena de países. No setor florestal, a família gere áreas de floresta e montado de sobro superiores a 12 mil hectares em Portugal e está a desenvolver projetos nesta área em Moçambique e no Brasil.

Na área financeira, o grupo é acionista de várias instituições na Península Ibérica e em África. Em Moçambique, o grupo lançou em agosto de 2011 o Banco Único, instituição financeira universal de retalho que se propõe tornar-se uma entidade bancária de referência no país. O grupo tornou-se recentemente acionista do Banco Luso Brasileiro.

No futuro, deverá caber também a Luísa Amorim, filha mais nova do empresário, assumir a presidência do grupo. Luísa é licenciada em marketing, e tem-se dedicado aos negócios vinícolas e da hotelaria, gerindo a Quinta Nova, no Pinhão.

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