Mais de metade da área agrícola terá de ser certificada em dez anos

Atualmente, apenas 15% a 20% da agricultura está em modo de produção sustentável certificada. O governo apresenta hoje a sua estratégia agrícola para a próxima década.

Daqui a dez anos, é suposto que mais de metade da área agrícola nacional esteja em modo de produção sustentável certificada. Esta é uma das metas da Agenda de Inovação para a Agricultura 20-30, o plano estratégico de desenvolvimento para a agricultura na próxima década, designado por Terra Futura, que será apresentado hoje pelo governo, na Lezíria do Tejo, no âmbito da feira Agroglobal.

Neste momento, a área agrícola certificada, isto é, em modo de proteção integrada ou de agricultura biológica, ocupa apenas 15% a 20% do território. Com a estratégia delineada a dez anos pelo Ministério da Agricultura, tutelado por Maria do Céu Antunes, a ideia é mais do que duplicar a oferta deste tipo de produção.

O objetivo é que a agricultura proporcione "mais rendimento aos agricultores, mais saúde, mais inclusão e mais inovação". Para isso, a estratégia contempla 15 medidas com 71 linhas de ação, na esperança de que o cidadão se torne "mais consciente com a sua alimentação, protegendo o planeta e os recursos naturais".

É nesse contexto que surge também a meta de aumentar em 60% o investimento em inovação agrícola, bem como a de ter 80% dos novos jovens agricultores instalados em territórios do interior de baixa densidade populacional.

Outro objetivo prevê aumentar a adesão dos portugueses à dieta mediterrânica, ligada à produção de bens endógenos, normalmente identificados pela certificação de Denominação de Origem Protegida (DOP) e Indicação Geográfica (GI). Tendo em conta que estes produtos são mais valorizados no mercado, esta poderia ser uma das vias para aumentar o rendimento do setor agroalimentar.

Por esse motivo, a Agenda da Inovação surge assente em quatro pilares: sociedade, território, cadeia de valor e Estado, depois de ouvidos vários agentes do setor agroalimentar, do desenvolvimento local, produtores, empresários, autarcas, investidores, parceiros e organismos.

Um portal único

Da agenda definida, antecipamos duas das 15 medidas previstas: a criação do Portal Único da Agricultura, inscrito no Simplex, e de uma Rede de Inovação a nível nacional.

No caso do Portal Único, pretende-se facilitar o contacto do agricultor com o ministério, onde estarão centralizados, por exemplo, todos os apoios ao setor, entre outras iniciativas. Por outro lado, será também uma porta de comunicação entre o agricultor e o consumidor.

Rede de Inovação

Quanto à criação da Rede de Inovação, está prevista a mobilização de várias estruturas de organismos agrícolas do Estado, abrangendo fileiras produtivas, focadas em temas específicos, como a dieta mediterrânica (em Tavira), a agricultura inteligente (em Marrazes, Leiria), a adaptação às alterações climáticas (em Elvas) ou aos territórios sustentáveis (em Braga, no Centro Nacional de Conservação de Recursos Genéticos Vegetais).

Estão em causa, sobretudo, várias estruturas das direções regionais de Agricultura e do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV). Na Estação Experimental de Elvas, por exemplo, serão estudadas soluções para os desperdícios do olival e do azeite.

Com a estratégia governativa, aposta-se em "fazer crescer a agricultura, inovando-a e entregando-a à próxima geração sem deixar ninguém para trás".

A feira Agroglobal termina nesta sexta-feira com uma intervenção presencial do ministro espanhol da Agricultura, Luís Planas Puchades, e uma comunicação em vídeo do comissário Europeu da Agricultura, Janusz Wojciechowski, havendo ainda um debate com Francisco Avillez, António Costa Silva, Poiares Maduro e Daniel Traça.

Foi a primeira edição do evento com presença de participantes e público no plano digital, tendo reunido 477 expositores virtuais.

Teresa Costa é jornalista do Dinheiro Vivo

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