Golfe procurado por turistas a sul. "Retoma próxima de ano regular" em 2022

Dormidas até setembro no Algarve superam as de 2020, mas foram menos de metade das registadas nos primeiros 9 meses de 2019. Região espera retoma no próximo ano.

Há muito que a expressão "vá para fora cá dentro" entrou no léxico dos portugueses. E durante este ano, o Algarve - tal como as outras regiões - contou sobretudo com os residentes para suportar a atividade turística e minimizar a perda de estrangeiros, cuja procura se retraiu devido à pandemia. Com o regresso às aulas em meados de setembro, o golfe tem dado oxigénio ao setor a Sul, havendo campos com "alguma procura relevante" até à primeira quinzena de dezembro. Os mercados europeus devem regressar em força, para um "ano regular", em 2022. Mas, até lá, é preciso ajudar as empresas a suportar o primeiro trimestre.

"Tivemos um arranque do ano de 2021 marcado por um confinamento prolongado", lembra João Fernandes, presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA). Em maio, a janela de oportunidade criada pela integração na lista verde do Reino Unido animou a procura mas durou apenas três semanas. Logo de seguida, o destino foi integrado na lista de países com mais restrições do próprio Reino Unido mas também da Alemanha. Os feriados nacionais em junho levaram os residentes ao Algarve. Já "julho não foi um mês com bom desempenho no mercado nacional nem no mercado externo. Agosto foi muito marcado, e à semelhança do que tinha acontecido em 2020, com níveis recorde de dormidas em hotel do mercado nacional que se prolongou para setembro, portanto, até 10 de setembro, quando a escola recomeçou".

Entre janeiro e setembro de 2021, o Algarve contou com 8,2 milhões de dormidas, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). Um número superior ao registado na totalidade do ano passado, quando a região captou 7,8 milhões de dormidas. Ainda assim, os 8,2 milhões de dormidas até setembro representam menos de metade das ocorridas nos primeiros nove meses de 2019, quando o Algarve contou com 17,5 milhões (20,9 milhões de dormidas no total). Além disso, os residentes foram responsáveis por mais de metade das dormidas a Sul até setembro: 4,6 milhões, um valor superior ao de 2020 - no total do ano foram 3,8 milhões. E já próximo dos níveis de 2019. Na altura, os residentes foram responsáveis por 4,9 milhões de dormidas no Algarve.

João Fernandes explica que a quebra que o regresso às aulas gerou na procura doméstica foi "logo a seguir compensada pelo arranque da época de golfe e pelo retomar dos mercados britânico, alemão e irlandês". "A partir de meados de setembro tivemos uma procura muito marcada pelo golfe, uma característica que tem a ver com o facto de as três últimas épocas terem sido marcadas por ou confinamento ou por restrições de mercados internacionais. O Algarve é o melhor destino do mundo de golfe e havia muita gente com adiamentos de reservas e com a vontade de vir, o que gerou estes fluxos de remarcações e de reservas de última hora", acrescenta.

João Fernandes diz que "temos os campos com um bom nível de procura até ao final de novembro" sendo que "há campos que até à primeira quinzena de dezembro têm alguma procura relevante".

Quanto ao próximo ano, o presidente da RTA aponta que "sobretudo de março em diante, [temos a expectativa de ter] uma retoma mais próximo do que é um ano regular, muito centrada nos movimentos intra-europeus, que se perspetiva que sejam os primeiros a reagir de forma substancial".

Depois de 18 meses de pandemia, e mesmo com apoios públicos, as empresas do turismo têm dificuldades, uma vez que não foi gerada uma almofada financeira durante a época alta para suprir a quebra da época baixa. Algo que no Algarve poderá ser mais notório dada a sazonalidade. "Temos de nos lembrar que o verão correu muito bem e este período da shoulder season [período entre a época alta e a época baixa] correu bem. Mas, a seguir, vem uma época baixa que vem testar a resistência das empresas. O que é importante e que pode ajudar é o prolongamento das medidas que o governo referiu continuarem a ser necessárias. O caso da retoma progressiva, que é essencial que se prolongue até à Páscoa [de 2022] e que mantenha as mesmas características de apoio", remata.

Proveitos acima de 1,6 mil milhões
De janeiro a setembro, os proveitos totais das unidades de alojamento ncionais ascenderam a 1,6 mil milhões de euros, mais 33,3% que nos primeiros nove meses de 2020. E mais do que os proveitos totais gerados pelas unidades de alojamento no ano passado. Ainda assim, os 1,6 mil milhões de euros obtidos até ao final do terceiro trimestre são cerca de metade do alcançado até setembro de 2019.

Os proveitos de aposento contribuíram com a fatia de leão para os proveitos totais. Ascenderam a 1,2 mil milhões até ao final do terceiro trimestre.

Ana Laranjeiro é jornalista do Dinheiro Vivo

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