Famílias depositaram 33 milhões por dia durante a pandemia

Desde março de 2020 os depósitos de particulares engordaram quase mil milhões de euros por mês. Estão num máximo histórico

Os bancos em Portugal têm visto os seus cofres ficar recheados com depósitos de particulares. Desde março de 2020, início da pandemia do novo coronavírus em Portugal, os particulares depositaram quase 20 mil milhões de euros nos bancos no país. Foram cerca de 985 milhões de euros que foram depositados mensalmente, em média, até ao final de novembro de 2021, segundo dados divulgados ontem pelo Banco de Portugal. O valor corresponde a cerca de 33 milhões de euros por dia.

Segundo a nota de informação divulgada ontem pelo supervisor, o montante de depósitos de particulares nos bancos em Portugal subiu 7,1% em novembro, em termos homólogos, para o novo máximo de sempre de 171,9 mil milhões de euros."Para esta situação contribuíram essencialmente os depósitos à ordem que cresceram 15,1% face ao período homólogo", referiu o Banco de Portugal."Desde o início da pandemia [março de 2020], os particulares aumentaram os seus depósitos junto de bancos residentes em 19,7 mil milhões de euros", adiantou.

No mês de outubro, o aumento de depósitos de particulares nos bancos em Portugal tinha sido de 6,9%.

Os depósitos de particulares atingiram um máximo de sempre em julho, nos 169,9 mil milhões de euros, mas o valor recuou em agosto e em setembro. Em outubro, o montante dos depósitos voltou a subir, fixando-se nos 169,6 mil milhões de euros, para em novembro voltar a fixar um novo recorde. Só no mês de novembro as famílias depositaram nos bancos mais de 1500 milhões de euros. Trata-se do mês em que habitualmente é pago pelas empresas o valor relativo ao subsídio de Natal, que dá mais folga financeira às famílias.

Estes aumentos nos depósitos têm-se registado apesar de as taxas de juro oferecidas para os depósitos a prazo estarem em mínimos de sempre. Em outubro, a taxa de juro aplicada em média aos novos depósitos a prazo de particulares situou-se no mínimo de 0,04%, que já se havia registado no mês anterior.

No caso das empresas, o montante de depósitos "em bancos residentes em Portugal cresceu 15,8% em relação a novembro de 2020, para 60,1 mil milhões de euros [crescimento de 14,0% no mês anterior], atingindo um novo máximo histórico".

Empréstimos sobem
O Banco de Portugal divulgou também os dados relativos aos empréstimos concedidos em novembro. Os empréstimos a particulares para a compra de casa registaram um aumento de 4,4% em novembro, face ao mesmo mês de 2020, atingindo os 96,6 mil milhões de euros. Quanto aos empréstimos ao consumo, "continuaram a acelerar: cresceram 2,2% relativamente a novembro de 2020, para 19,2 mil milhões de euros".

Segundo os dados, 1,5% do stock total de empréstimos dos bancos aos particulares estava em incumprimento, o que corresponde a um novo mínimo histórico. "Para a redução deste rácio contribuiu, maioritariamente, a diminuição do rácio de empréstimos ao consumo e outros fins que se encontram em incumprimento [reduziu 0,7 pontos percentuais face ao mês anterior, para 4,6%]", indicou o supervisor. Estes empréstimos deixaram de estar registados no balanço dos bancos devido à venda de empréstimos e à conversão em empréstimos abatidos ao ativo.

O montante de empréstimos concedidos às empresas cresceu 4,7% face a novembro de 2020, para 76,0 mil milhões de euros, com o seu ritmo de crescimento a cair pelo sétimo mês consecutivo.

Elisabete Tavares é jornalista do Dinheiro Vivo

Mais Notícias

Outras Notícias GMG