Eletricidade sobe mais de 1 euro no mercado regulado em outubro

Esta é a segunda vez que a eletricidade aumenta este ano após uma subida de 3% em julho. Nova tarifa vigorará até final do ano

A eletricidade vai ficar mais cara, já a partir do dia 1 de outubro, para as 933 mil famílias que ainda estão no mercado regulado, ou seja, aquelas cuja conta vem da EDP Serviço Universal ou, como aparece agora na fatura, "SU Eletricidade".

De acordo com a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), que anunciou ontem a decisão, o aumento será de 3% ou, em específico, de 1,05€ na fatura mensal de um casal sem filhos, com um contador de 3,45 kVA e um consumo de 1900 kWh/ano e de 2,86€ por mês para um casal com dois filhos, um contador de 6,9 kVA e um consumo de 5000 kWh.

Este aumento, que é o segundo este ano, depois de uma subida de também 3% em julho, estará em vigor até ao final do ano, já que em janeiro de 2022 haverá uma nova atualização. Contudo, nessa altura, já será para todos os consumidores, tanto os do mercado regulado como do mercado livre (os que têm contas da EDP Comercial, da Galp, da Endesa, Iberdrola ou outras operadoras). O valor dessa atualização será conhecido a 15 de outubro, e tanto pode ser de descida como de subida.

Aliás, na semana passada, o Governo garantiu que, a verificar-se um aumento, será "reduzido".

A justificar a decisão agora tomada, explica a ERSE, estão os preços recorde que se têm registado no Mercado Ibérico de Eletricidade (MIBEL), uma bolsa onde se "coloca" a eletricidade que é produzida através de diferentes fontes (renováveis, hidroelétrica, gás natural, carvão ou nuclear, no caso de Espanha) e onde os preços vão mudando consoante os custos de produção dessa mesma eletricidade. Como não tem chovido nem feito muito vento, está a usar-se mais gás natural, que por sua vez está mais caro, fazendo disparar o custo de produção e, consequentemente, o preço da eletricidade para o consumidor. Além disso, o custo que as empresas têm de pagar pelas licenças para emitir CO2 também está mais alto.

Ora, segundo explicou a ERSE em comunicado, como o Comercializador de Último Recurso (CUR), ou seja, a SU Eletricidade, está a pagar um custo mais elevado pela compra de energia no MIBEL, esse aumento tem de se refletir na tarifa. "Sempre que se verificar um desvio do custo de aquisição do CUR igual ou superior a 10€/MWh, a tarifa deve ser revista num valor fixo de 5€/MWh, no mesmo sentido do desvio", e neste momento o desvio é já superior a 21€/MWh, ou seja, "mais 41% que o valor refletido nas tarifas em vigor".

Ana Baptista é jornalista do Dinheiro Vivo

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