Dona do Continente, Pingo Doce e Auchan acusados de cartel de cosmética

Autoridade da Concorrência aponta para indícios de alinhamento de preços entre os três grupos de retalho e a fornecedora de marcas de cosmética, higiene pessoal e de beleza com prejuízo para os consumidores.

A dona do Continente, o Pingo Doce e o Auchan voltaram a ser acusados de cartel. A Autoridade da Concorrência (AdC) acusa estes três grupos de retalho de combinarem preços com o fornecedor Beiersdorf para a venda de produtos de cosmética, higiene pessoal e beleza. A situação terá penalizado os consumidores entre 2008 e 2017, segundo o comunicado divulgado esta quarta-feira pela AdC.

Em causa está a combinação de preços para a venda de produtos de marcas como Nivea, Harmony, Hansaplast e Labello. A acusação também visa um diretor da Beiersdorf.

Esta prática designa-se por 'hub-and-spoke', na terminologia da concorrência. "Os distribuidores, não comunicando diretamente entre si, como acontece habitualmente num cartel, recorrem a contactos bilaterais com o fornecedor para promover ou garantir, através deste, que todos praticam o mesmo PVP no mercado retalhista", detalha o documento.

Depois da acusação, os visados podem agora defender-se junto da AdC. Só depois dessa fase é que o processo será encerrado.

Os três grupos de retalho têm andado na mira da Concorrência: dia 27 de novembro, foi tornada pública uma acusação de cartel destes grupos com o fornecedor de bebidas alcoólicas Active Brands, que inclui marcas como Licor Beirão e Porto Velhotes.

Cinco meses antes, no final de junho, os três grupos foram acusados de cartel com a Bimbo Donuts.

Há ainda outras cinco acusações da mesma prática junto dos três grupos de retalho que têm sido tornadas públicas desde março de 2019.

A AdC "tem atualmente em curso mais de dez investigações no setor da grande distribuição de base alimentar, algumas ainda sujeitas a segredo de justiça".

Diogo Ferreira Nunes é jornalista do DInheiro Vivo

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