De florestas na Zâmbia a fogões no México: BP compensa emissões em Portugal

Petrolífera vai financiar projetos sociais para neutralizar carbono. Projeto pioneiro tem investimento estimado acima dos 8 milhões de euros.

As emissões de carbono emitidas esta quarta-feira pelos carros particulares vão ser compensadas pela BP. Portugal foi o país escolhido pela petrolífera britânica para iniciar um projeto pioneiro de neutralização da poluição gerada por aqueles automóveis. O plano vai ter uma duração inicial de 12 meses e implica um investimento estimado acima dos 8 milhões de euros. Sem impacto no preço dos combustíveis, garante o líder da BP Portugal, Pedro Oliveira.

"Reduzir as emissões sem comprometer aquilo de que gostamos é extraordinariamente difícil. Só que vemos muito pouco, no dia a dia , essas intenções a transformarem-se em algo tangível. O que aqui apresentamos é um exercício de pragmatismo e de realismo para a redução de emissões", entende Pedro Oliveira.

Só esta quarta-feira, a BP prevê compensar 27 mil toneladas de carbono de todo o consumo de combustível dos carros particulares - excluindo frotas. Depois disso, a empresa vai compensar mais de dois milhões de toneladas resultantes do abastecimento dos automóveis nas suas bombas de combustível.

Considerando que, em 14 anos, a BP compensou 6 milhões de toneladas de carbono emitidas num valor acima dos 24 milhões de euros, estima-se que o montante investido nesta iniciativa em Portugal deverá ultrapassar os 8 milhões de euros. "Um valor assustadoramente elevado", no entender de Pedro Oliveira.

Este investimento, assegura a petrolífera, não implica mexidas no preço dos combustíveis, e é visto como um esforço para compensar a poluição associada à produção, refinação, distribuição e combustão dos produtos adquiridos pelos clientes em postos de abastecimento. A empresa atingiu recentemente a marca dos 500 postos de combustível em solo nacional.

A BP pretende mesmo que as restantes petrolíferas a atuar em Portugal sigam este exemplo em vez que se pagar a taxa de carbono no imposto sobre os combustíveis (ISP), onde "não há escrutínio" nem é avaliado "o seu impacto na redução das emissões". "A taxa de carbono é um imposto como outro qualquer", contesta Pedro Oliveira.

Os automóveis particulares representam 7% das emissões e correspondem a 20% da poluição gerada por todos os meios de transporte. O segmento da mobilidade representa 25% das emissões, abaixo dos 35% gerados pela indústria e dos 40% do consumo residencial, segundo dados da empresa.

Compensação...fora de Portugal

Cada vez que consumir combustível nos postos da BP, a empresa vai compensar automaticamente as emissões através de títulos de carbono. Numa fase inicial, no entanto, a companhia apenas vai apostar em projetos no estrangeiro: um programa de plantação florestal na Zâmbia, fogões mais eficientes no México e ainda biodigestores na Índia para produção de biogás.

Para apoiar iniciativas em Portugal, além de não poderem ter fins lucrativos, "tem de ser cumprida uma série de critérios", como os objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. A BP procura oportunidades de investimento nas regiões de Lisboa e do Porto.

A iniciativa da empresa decorre em paralelo com outras medidas para redução das emissões desenvolvidas nos últimos anos, como o uso de combustíveis eficientes e a parceria com a EDP para a instalação de 30 postos de carregamento de veículos até ao final deste ano - até final de junho, metade da meta estava cumprida.

A petrolífera também está interessada em investir em projetos relacionados com a energia solar em Portugal, através da subsidiária Lightsource.

Vendas no vermelho até dezembro

A BP Portugal antecipa que as vendas mensais de combustíveis vão ficar abaixo dos níveis de 2019, muito por culpa da covid-19. Apesar de estimar quebras mensais de consumo até dezembro, a empresa conta apresentar resultados positivos no final deste ano, muito por culpa da aposta noutras áreas de negócio.

"O coronavírus teve um impacto muito grande nas operações do primeiro semestre", reconhece Pedro Oliveira. Nos meses de março e abril, as vendas de combustíveis chegaram a cair para metade. Por outro lado, a BP admite uma recuperação "acima do esperado", graças às vendas nas lojas de conveniência e às parcerias com o grupo Jerónimo Martins e a plataforma de entregas Glovo.

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