Crise de trocos. Banca e comércio atraem clientes para trocarem moedas

Pandemia fez desaparecer da circulação parte significativa das moedas e agora os norte-americanos são recompensados pela troca das peças metálicas.

Há dez anos o norte-americano Aloe Blacc cantava I need a dollar, hoje os bancos e o comércio dos Estados Unidos fazem coro a pedir moedas aos clientes.

É um problema originado pela pandemia. Desde março, muitas empresas e autoridades sanitárias têm encorajado os consumidores a utilizar sistemas de pagamento sem contacto devido à potencial propagação da covid-19 através da troca em mãos de numerário e cartões de crédito.

Junte-se o aumento das vendas online (em junho registou-se um aumento de 23,5% em relação a igual mês de 2019, segundo o departamento de estatísticas norte-americano) e, em geral, à retração causada pelas medidas de confinamento e distanciamento social e os EUA têm uma quebra na circulação de moedas, em especial as de mais baixo valor.

A falta de moedas de cêntimo, de cinco cêntimos, de dez cêntimos e de 25 cêntimos levou a Reserva Federal a começar a racionar moedas em junho. Por outro lado, os bancos, que cobravam aos clientes pelo depósito dos trocos, mudaram radicalmente de política.

Com os bancos e o comércio sem moedas disponíveis, a solução passou nos últimos dias por campanhas para atrair os clientes que guardam as peças metálicas em casa para injetá-las em circulação.

A mais bem-sucedida das campanhas foi lançada pelo banco Community State Bank, do Wisconsin. Por cada cem dólares em moedas, o banco oferecia cinco dólares aos clientes.

"As pessoas trouxeram-nas em latas, sacos e frascos", disse ao USA Today Greg Wall, o diretor de inovação do banco, que acredita ter proporcionado aos clientes a "oportunidade de fazer alguma coisa" para se livrarem das moedas.

Um cliente levou 4000 dólares em moedas, o que lhe rendeu 200 dólares. Mas outros nem sequer quiseram fazer a troca por notas, tendo simplesmente deixado os trocos no balcão, segundo contaram à CNN.

Segundo o vice-presidente daquele banco, Neil Buchanan, centenas de pessoas aderiram ao programa no espaço de poucos, o que resultou num "impacto incrível" nas empresas locais em dificuldades devido à escassez de moedas, e de tal forma que a campanha foi dada como finalizada.

Outro banco que seguiu a mesma ideia é o o Amarillo National Bank, do Texas, que até 1 de setembro dá um bónus de até 10% para quem troque moedas por notas, num valor até 500 dólares.

Um porta-voz da Ohio Bankers League disse que alguns bancos daquele estado estão a oferecer máquinas de contagem de moedas para ajudar os clientes a converterem o metal em notas ou em depósitos.

No comércio, alguns supermercados pedem para os clientes pagarem com a quantia certa ou com cartão, enquanto outros sugerem que o troco não disponível seja convertido e acumulado num cartão da loja ou canalizado para caridade.

Outras lojas, como alguns 7-Eleven, oferecem uma bebida a quem troque cinco dólares em trocos por uma nota.

A Reserva Federal, por outro lado, também vai fazer a sua parte para minimizar o problema. Segundo um comunicado da semana passada, desde meados de junho, a Casa da Moeda dos EUA "tem estado a funcionar em plena capacidade de produção, cunhando quase 1,6 mil milhões de moedas em junho e em vias de cunhar 1,65 mil milhões de moedas por mês durante o resto do ano".

No ano passado a média mensal de moedas cunhadas foi de mil milhões.

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