Covid-19. Hotéis com perda de receita acima de 30% até 9 de março

A hotelaria nacional terá tido uma perda de receita superior a 30% até dia 9 de março devido à epidemia de coronavírus, de acordo com estudo da AHP.

A epidemia de coronavírus está já a ter efeitos na hotelaria nacional. A AHP - Associação da Hotelaria de Portugal - lançou um inquérito aos hoteleiros associados cujos dados são atualizados diariamente, para aferir os efeitos que a epidemia do novo coronavírus está a ter sobre a hotelaria nacional. Os resultados em detalhe vão ser conhecidos esta quinta-feira, mas para já a AHP revela que a perde de receita para as unidades hoteleiras é superior a 30% e que as taxas de cancelamento estão muito acima das verificadas em anos anteriores, registando-se cancelamentos para datas próximas mas também para reservas futuras.

O turismo tem um peso importante para o PIB português. Esta tarde, o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, e da secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, vão ter uma reunião com Confederação do Turismo de Portugal e associações do setor. Em cima da mesa estará os efeitos do novo coronavírus para o setor.

Esta estimativa da AHP é um dos primeiros números revelados pelo setor. O grupo Pestana, um dos maiores do país, já tinha admitido ao Dinheiro Vivo que vinha a sentir o impacto negativo "desde janeiro com abrandamento nas reservas e cancelamentos ou adiamentos, em especial de grupos". O primeiro trimestre do ano não é dos mais fortes para o setor, correspondendo a época baixa. O setor dos eventos, e o números de pessoas que traz, é um dos pontos fortes nesta época. E devido ao surto da doença vários foram cancelados, o que se traduz em cancelamentos para as unidades hoteleiras e perda de receita.

Além disso, várias companhias aéreas têm anunciado alterações às suas operações, cancelando vários voos nomeadamente para Itália, o que poderá também estar a afetar o turismo. A TAP, na semana passada, anunciou o cancelamento de mil voos e ontem comunicou ao mercado o cancelamento de mais 2500 voos, o que dá um total de 3500. A Ryanair também anunciou mais alterações aos voos que realiza para vários aeroportos italianos. A British Airways, por sua vez, anunciou o cancelamento de todos os seus voos para Itália e a Áustria proibiu a entrada de italianos no país.

A Europa é o principal destino turístico do mundo e as várias economias devem ser afetadas, embora de forma diferente. A violência do golpe em cada país, essa, vai depender da evolução da epidemia no território. "Portugal é uma potência turística, está entre os 15 maiores mercados mundiais e é a área em que somos mais competitivos e relevantes. Nesse ponto de vista teremos um impacto muito semelhante ao da Espanha, França e Grécia", defendia o economista Augusto Mateus, em declarações ao Dinheiro Vivo, publicadas no último sábado.

No Sul da Europa, Itália deverá ser, pelo menos para já, o país mais castigado. "Teremos eventualmente menos impacto do que Itália, que tem um nível maior de exposição à epidemia e portanto vai sofrer mais. As próximas semanas ditarão se haverá europeus mais afetados do que outros. Para já, se as coisas permanecerem como estão, é lá que haverá maior redução da procura", acredita Augusto Mateus. Em Espanha, e para tentar piscar o olho aos viajantes espanhóis, a hotelaria está a baixar preços para a altura da semana santa, tentando assim atrair os turistas espanhóis para ficarem pelo território, de acordo com a imprensa espanhola.

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