Comércio e serviços acusam governo de "desprezo" e ameaçam com despedimentos

Setor diz-se discriminado nas linhas de crédito anunciadas esta quarta-feira pelo governo para apoiar as empresas.

A Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) acusa o governo de estar a discriminar o setor nas medidas de apoio extraordinário anunciadas esta quarta-feira para acudir as empresas portuguesas devido ao impacto da pandemia. A organização diz que vai aconselhar empresas a reduzirem custos laborais.

"A CCP, ao tomar conhecimento das linhas de crédito anunciadas pelo governo, em concreto da distribuição setorial dos montantes agora disponibilizados, considera inaceitável o profundo desprezo a que foi votado o setor do comércio e de muitos serviços", afirma a organização em comunicado.

O ministério da Economia e o ministério das Finanças anunciaram hoje um reforço para os três mil milhões de euros nas linhas de crédito destinadas às empresas, abrindo um período de carência até um ano e também prazos de amortização até quatro anos.

As quarto novas linhas de crédito destinam-se à restauração (600 milhões de euros), agentes de turismo (200 milhões de euros), empreendimentos e alojamento turístico (900 milhões de euros), indústrias têxtil, de vestuário, calçado, extrativas, da madeira e da cortiça (1300 milhões de euros).

"Não discutimos os apoios aos vários setores, mas a CCP recorda que só o setor do comércio representa mais de 700 mil ativos, dos quais meio milhão a trabalhar em micro e pequenas e médias empresas do setor. Os restantes serviços empregam ainda mais de um milhão de trabalhadores", queixa-se a organização liderada por João Vieira Lopes.

Acusando o governo de "discriminação inexplicável" e de falta de apoio, "a CCP aconselha os empresários a não adiarem decisões (como aconteceu, por exemplo, no período de ajustamento) e a adotarem uma política de redução rápida de custos, nomeadamente laborais, de forma a minimizar as dificuldades com que são confrontados".

Segundo nota do governo, o objetivo das novas linhas é acudir aos sectores com impacto sentido de forma "mais abrupta e precocemente", com o Ministério da Economia e Transição Digital, prometendo continuar a avaliar e dirigir apoios aos restantes sectores, incluindo comércio e serviço.

"O governo encontra-se em estreita ligação com a Confederação de Comércio e Serviços e as associações do sector para assegurar que essas medidas sejam tempestivas e adequadas às suas realidades", assegura ainda a nota, lembrando que a anterior linha de crédito de 200 milhões de euros dedicada à generalidade das empresas "já está disponível e as suas condições de acesso serão também atualizadas".

atualizado às 14.01

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