Carreira por objetivos e ensino à medida no emprego

Os deans no IESE e da AESE Business School falam ao DN dos desafios de um mundo em transformação e de como influenciam e movem o ensino e a realidade do trabalho. "Vamos mudar muito mais", vinca Heukamp, e haverá soluções personalizadas para isso.

Se os estudantes universitários me perguntassem o que deveriam ter em conta quando começam, penso que seria algo como pensarem em grande, terem uma ambição profunda relativamente ao que querem fazer na vida, mas não a associarem necessariamente - e, com certeza, não imediatamente - a demasiados resultados específicos, como pensarem que têm de dar aquele passo na carreira, e olharem mais para essa ambição tendo em conta o impacto que querem que a sua vida tenha no mundo e na sociedade." A visão de Franz Heukamp, dean no IESE (da qual a AESE Business School é associada), resume bem a transformação profunda que o ensino está a viver. E que é em simultâneo reflexo e agente das mudanças no mundo. Olhar menos aos passos comuns de evolução da carreira e antes traçar o seu próprio caminho de acordo com os "objetivos de vida que se quer atingir" é uma mudança de paradigma capaz de revolucionar a forma como olhamos para os empregos. E que já está a acontecer, com a maioria dos jovens a mover-se muito mais por projetos que lhes interessem, com os quais se identifiquem e cujo desenvolvimento considerem relevantes para o bem comum, do que pelos créditos de trabalhar numa multinacional, por exemplo.

E nesse caminho, a formação ao longo da vida ganha especial relevo, com as escolas de negócios a ganhar ainda mais importância. Mesmo porque "é através do ensino que preparamos as pessoas para os passos seguintes", defende Heukamp, que acredita que não só vamos tendencialmente procurar mais ensino como este será "muito mais personalizado". "Não será necessariamente o tipo de experiências ou programas educacionais para um grande número de pessoas como os que conhecemos hoje. Penso que as pessoas vão querer ter uma resposta mais personalizada para as suas necessidades de desenvolvimento e nós seremos capazes de lhas dar graças à tecnologia e às soluções individualizadas que ela permitirá dar."

Para o professor, uma coisa está claríssima: "As pessoas vão mudar mais frequentemente", seja de empresa ou mesmo relativamente ao trabalho que fazem. E se "as transições são sempre bons momentos para olharmos para trás e refletirmos sobre o que temos vindo a fazer e prepararmos os passos seguintes", Heukamp reconhece o papel de escolas de gestão como o IESE e a AESE enquanto "instituições que permitem experiência de aprendizagem em diferentes fases da carreira e programas específicos que podem contribuir com essa experiência".

No fundo, alguém que nos ajude a encontrar os próprios caminhos a partir do seu próprio conhecimento e do que se desenvolveu a nível pessoal.

"É através da educação que os líderes se preparam para os próximos passos em direção ao futuro. Por isso, a educação executiva ao longo de toda a vida será cada vez mais relevante", concorda Fátima Carioca, dean da AESE, apontando "fidelidade à missão, continuar a ser parte ativa na construção do futuro de todos e mantermo-nos jovens para continuar a preparar líderes a quem possamos confiar o presente e o futuro" como os principais desafios que a escola que lidera enfrenta.

Quanto às áreas de formação que se prevê que possam ganhar ímpeto nessa nova realidade, o dean da IESE tem mais hesitações. "Um líder tem de fazer muitas coisas e algumas dependem do contexto", reflete Heukamp, apontando uma resposta que se perfila como essencial nos tempos mais próximos, e que passa por aprender a lidar com "a incerteza que nos consome e que teve origem na pandemia, tanto do ponto de vista da organização como do ponto de vista individual". Compreender para onde é que a mudança tecnológica está a levar o setor em que trabalhamos e quais são as oportunidades estão a criar-se é outra ideia destacada pelo docente como fundamental, numa era em que a digitalização - acelerada pela pandemia - ajuda a resolver questões como flexibilidade nas suas várias vertentes. "A forma como, enquanto indivíduos, nos queremos relacionar com a organização, com a equipa e as pessoas com quem trabalhamos. As pessoas querem ter escolhas e querem ter uma palavra cada vez mais forte sobre até que ponto querem comprometer-se a estar fisicamente num lugar."

Fátima Carioca também faz o diagnóstico: o mundo é "cada vez mais dinâmico e complexo", há "problemas globais, sociais, económicos e ambientais de gravidade acentuada" e "novas gerações de profissionais com características específicas; e há soluções tecnológicas cada vez mais avançadas, capazes de abrir espaço para que a inteligência humana se alavanque e consiga melhores resultados". Neste sentido, o desafio da AESE está alinhado com o da própria formação executiva. "Ambas passarão por uma profunda transformação, uma integração muito maior dos saberes tecnológicos, operacionais e estratégicos; soluções mais criativas e inovadoras, nomeadamente com soluções mais personalizadas para necessidades de desenvolvimento pessoal ou corporativo", resume Carioca.

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