Automóveis elétricos batem recorde de vendas em nove meses

Aumento da oferta e prioridade das marcas a modelos a baterias explicam desempenho em contraciclo com versões a combustão.

Depois de 2020 ter ficado marcado pelos efeitos da pandemia, o mercado automóvel enfrenta agora a falta de semicondutores para a produção de novas unidades. Os modelos a baterias, contudo, não têm razões de queixa: nos primeiros nove meses deste ano, os portugueses já compraram mais ligeiros de passageiros totalmente elétricos do que em todo o ano passado.

O aumento da oferta no mercado e a prioridade das marcas a modelos a baterias nas linhas de produção são dois dos fatores que contribuem para este desempenho.
Entre janeiro e setembro, foram matriculados 7839 novos carros totalmente a baterias, o que corresponde a 7% de quota de mercado.

O número compara com as 7830 unidades registadas nos 12 meses do ano passado, revelam os dados divulgados no final da semana passada pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP).

Setembro de 2021 foi o mês com mais vendas de sempre, com 1498 veículos que dependem da tomada para terem autonomia.

"As marcas têm metas ambientais para cumprir e os carros elétricos têm prioridade atualmente", assinala Roberto Gaspar, secretário-geral da Associação Nacional das Empresas do Comércio Automóvel (ANECRA).

A situação leva a que, nos concessionários, existam mais unidades elétricas disponíveis para os consumidores. Quem estiver na dúvida entre comprar um modelo a combustão ou um elétrico, "o modelo a baterias tem um prazo de entrega menor", acrescenta o mesmo dirigente.

Também há cada vez mais marcas que vendem modelos apenas a baterias, destaca o líder da associação de utilizadores de veículos elétricos UVE. Henrique Sánchez lembra que a tendência aponta para a descida dos preços coloca o preço dos elétricos "ligeiramente acima" das versões equivalentes a combustão.

A Tesla foi a marca que mais elétricos vendeu até setembro, com 1031 unidades, seguida da Peugeot (873) e da Nissan (815). A fechar os cinco primeiros, nota para a Renault (590) e a Hyundai (573).

O reforço da rede pública de carregadores também contribui para o crescimento dos modelos a baterias. Segundo o dirigente da UVE, "já há cerca de 6000 pontos de carregamento" que podem ser desbloqueados com um cartão de um comercializador para a mobilidade elétrica. É o dobro do número de tomadas que existiam em 2020.

As cada vez mais frequentes imagens de cheias repentinas ou de fogos intensos também "estão a abanar a consciência dos cidadãos" e a chamá-los a atenção para os carros elétricos.

Híbridos recorde

Os híbridos também já bateram recordes no mercado automóvel português. Até setembro, foram matriculados 14 666 modelos sem tomada de carregamento exterior, o que compara com as 11 902 unidades registadas em 2020.

Nas versões com tomada exterior de carregamento, o novo máximo histórico deverá ser alcançado durante este mês: foram comprados 11 574 carros deste género nos primeiros nove meses deste ano; foram 11 867 nos 12 meses de 2020.

Os híbridos já valem 27,6% das vendas de carros novos.

Diogo Ferreira Nunes é jornalista do Dinheiro Vivo

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